domingo, 30 de agosto de 2009
...os últimos anos da vida de um homem...
A velhice, ou antes os últimos anos da vida de um homem, e claro está, falo obviamente e igualmente dos últimos anos da vida de uma mulher.
Em primeiro lugar vou tentar identificar os diversos intervenientes e interessados neste processo e nesta realidade, sendo que posteriormente tentarei reflectir um pouco, sobre cada um deles.
Bem, para já lembro-me de:
• O indivíduo (que não tem de ser obrigatoriamente velho)
• O filho(a), ou o que resta dele
• A família, ou o que resta dela, ou outra coisa ainda que não se sabe exactamente que é
• Os centros de saúde e hospitais na qualidade de prestadores de cuidados de saúde
• As igrejas e as religiões
• Os “lares”
• O estado e os governantes
...De momento não me lembro de mais nenhum...
Pois bem, então vamos lá.
O indivíduo... O indivíduo tem, antes de mais, de querer e se deixar tratar e cuidar, conheço vários casos em que a prepotência e de falta de humildade, inviabilizam qualquer possibilidade de ajuda. O indivíduo, apesar de se esquecerem disso é uma pessoa, como tal, pensa, vive na verdadeira acepção da palavra, com todas as componentes dessa vida, gostos, direitos, opiniões, deveres, personalidade, sexo e repito sexo, história, passado, presente e também, sim, também tem futuro… A ideia de criar uma sociedade paralela, tipo prateleira, para o pessoal velho e outros, foi a pior dos últimos milénios! Permitir que isso renda bastante dinheiro a terceiros, é a garantia para a permanência e disseminação da coisa. A idade não pode ser causa de descriminação, mas antes de inclusão e ainda mais ampla... O indivíduo, tão-somente, deseja e tem o direito de ser amado e respeitado, até depois de ter morrido. No entanto devemos envolver os nossos filhos na nossa vida e na dos nossos pais, de modo a que façamos parte do seu projecto de vida, com a dedicação e respeito que temos para com eles. Educar e criar um filho é muito mais que garantir através de muito trabalho, dedicação e ausência, que nada, mas mesmo nada lhe falta, em nenhum âmbito. Menos PSP e mais salto à corda, menos inglês e mais horta, menos vergonha e mais conversas teenager, descer do altar e saber como andam as namoradas e os dramas da menina gorda que antes de cisne é patinho feio...
Com a impressão de ainda muito haver para dizer, avanço para o filho, ou o que resta dele... Se relativizarmos o termo filho, ao fenómeno de uma vida na sequência da união anterior de duas; não teremos muito a dizer...manutenção da espécie e ponto. No entanto, não me parece que essa definição nos baste. Nós, como os nossos filhos e como os nossos pais, somos o resultado, um somatório, de consequências das vivências e das realidades a que fomos submetidos, e devemos ter isso sempre presente, em relação a nós e aos outros. Todos nós temos os nossos dramas, e eles têm de ser respeitados pelos outros. Muitas vezes esse resultado vem a mostrar-se, desolador, revoltante, injustificado, inesperado mesmo, ou pelo contrário mas também; mas sê-lo-á?! A colheita das tempestades na volta da sementeira dos ventos, poderá deixar algum sabor menos agradável na boca... Não me atrevo a atribuir culpas absolutas aos filhos e ou outros por detrás, e também por dentro destas realidades. Têm-nas, sem dúvida, mas repartidas. Os filhos dos filhos, os cônjuges dos filhos, as prioridades dos filhos, os problemas dos filhos, as vidas dos filhos, as futilidades ou não dos filhos, o apelo comercial de um mercado muito rentável, o tapar o sol com a peneira e deixar para depois essas coisas, sem a consciência de que, a menos que morramos novos, chegaremos a velhos, um sistema de saúde mal organizado, uma sociedade que ao mesmo tempo que pretende ser de excelência, o é de mediocridade e de abandono após a exuberância da floração da vida, são também cicatrizes e as mãos que vão moldando os caracteres e as vidas...
Com a mesma sensação do ponto anterior, avanço na direcção da família.
Bem, essa é uma instituição em franca decadência! A família é para a sociedade e para a civilização, o que a célula é para a vida; a sua unidade por excelência, e que em tudo a contém!
Muito há para falar e reflectir sobre a família. Considerando o eventual início da família no momento da decisão de viver uma vida a dois, surge todo um universo de realidades a explorar e reflectir. Antes de mais, e correndo o eventual risco de julgamentos por parte de terceiros, tentarei reflectir sobre uma família convencional, cuja união pressupõe uma mulher e um homem, mesmo porque não concebo outro formato. Para começar, (e como já escrevi há dias em “amores descartáveis”), as relações têm tomado nas últimas décadas, um carácter provisório e de fim quase á vista, uma relação em que, desde o primeiro dia se considera a possibilidade de se descartar logo que deixa de ser uma louca paixão... Poderá parecer uma opinião redutora e retrograda e sinónimo de insensibilidade, mas á precisamente o contrario. Ninguém pode viver a ponderar a morte, não se pode amar tendo em conta a traição, é impossível a entrega total quando se não é proprietário. As relações conjugais carecem de capacidade de ambos os elementos, para evoluir juntos, para se respeitarem nas diferenças, para chorarem muito e rirem bastante mas juntos, para reconhecerem não ofuscados as virtudes e os defeitos um do outro, para se separarem e descolarem definitivamente dos aconchegos dos ninhos parentais, para dialogar em vez de calar, e digo dialogar, não gritar, para não deixar assuntos a meio, com pontas pendentes, para ser e responder pela verdade e pela sinceridade, para tantas outras coisas que infelizmente, cada vez vou vendo menos nos casais de hoje. Ambos têm a obrigação total e imponderável de tornarem as suas casas no seu lar; a nossa casa só pode ser o nosso porto de abrigo, o cais onde atracamos depois de enfrentarmos as tempestades dos oceanos profundos das nossas vidas, o local para onde corremos quando queremos rir, mas também quando queremos chorar, um local onde não há cedências mas sim espaço para ambos, onde acima de tudo haja muita, mas mesmo muita vontade de ser feliz, e de lutar e sofrer por essa felicidade. Vejo muitos sofrimentos neste mundo por causas tão relativas, será que a nossa família e a nossa felicidade os também não merecem? São muitos os sofrimentos de homens e mulheres, não só para subirem Everestes e Kilimanjaros, para correrem dezenas e centenas de quilómetros por uma medalha, mas também para chegarem a horas aos empregos, diariamente, de quem dependem, para serem profissionais e bons no que fazem, enquanto se preocupam com a renda da casa, com o imposto para pagar, com a doença do filho e também do pai, para terem alegria e frescura para receberem o cônjuge no regresso ao lar, para terem braços e coração para apoiarem e chorarem com o outro nas dificuldades... Tenho visto atletas, de uma grandeza e de uma competitividade imensa; gente que ama a vida e quer fazer dela, única e grande! Esta gente, estes pares, são ninhos de veludo para acolherem novas vidas. Pois sim, neste ambiente, um filho desejado e planeado, rebenta como uma semente bruta em solo fértil, sem medos, sem receios, sem dúvidas porque acima de tudo vêem uma campânula aberta, como se de um estádio se tratasse, que os braços e os cuidados dos pais constituem, e lutam para manter e renovar todos os dias e a todas as horas. Fácil? Nada disso! É mesmo muito difícil! Mas é muito bom, mesmo muito bom!
Um crescimento e educação que contemple o convívio diário e em ambiente familiar das nossas crianças com as realidades e do envelhecimento, parece-me imprescindível para que as coisas mudem de trajectória. As circunstâncias, e não só, porque até as habitações conspiram contra a família, têm feito com que os velhos das famílias se tornem em restos de uma civilização que tudo consome. As nossas crianças, cada vez menos, têm a noção de velhice, não sabem como as pessoas envelhecem, das peripécias e das realidades que envolvem a velhice. Um avô a envelhecer na nossa casa, no seio da nossa família, tem vantagens incalculáveis... Os nossos pais, contidos nas nossas vidas, demonstram a continuidade das vidas e das gerações. Conheço crianças que infelizmente não são poucas, que quando questionadas acerca dos seus avós em idades muito avançadas, me dizem “são velhinhos, que têm um cheiro esquisito, e que têm umas conversas que não se percebem”, e que elas vêem uma ou duas vezes por mês, se insistirem com o pai/mãe, “lá numa casa grande onde estão outros velhinhos como eles...” Depois, um dia viram os pais vestidos com roupas escuras e de óculos pretos, com uma cara estranha de aborrecimento. Ficaram em casa de uma vizinha ou de um familiar, ou foram para um dia de actividades culturais muito respeitosas, que as agências funerárias organizam, para ocupar as crianças, durante o período em que se desenrola as cerimónias fúnebres, com o objectivo de não chocar as crianças com a realidade da morte e com a dureza do momento... A cremação apaga definitivamente aquela existência, garantindo que até o trabalho de uma visita aos restos mortais, se torne “higiénica”... dizem... As nossas crianças, são privadas de amar e conviver, com os nossos pais em ambiente familiar, e de se envolverem no envelhecimento e na morte dos nossos pais. Lembro-me perfeitamente de dar comida á minha avó materna, de falar com o meu avô paterno na minha casa (dos meus pais), lembro-me de dar passeios com o meu avô paterno, e de ele me contar historias que mais me pareciam de super-heróis “paleolíticos”, bem como do degradar das suas saúdes e dos dias em que a morte chegou... Na melhor das hipóteses, estamos a criar crianças que ainda que quisessem, não sabem o que fazer com um velho, como se pode e deve lidar com ele e como ira ser a vida com ele por perto... Quanto muito, farão connosco o que viram fazer, quando os nossos pais ficaram com as suas idades avançadas e precisaram dos nossos cuidados... Irão pôr-nos lá nos lares, como se de antecâmaras de morte se tratasse... A velhice e os velhos são vergonhas que embalamos em caixotes e colocamo-los nos fundos das garagens das nossas vidas, esperando que uma qualquer limpeza, os atire definitivamente para o lixo. As nossas famílias nem sempre são os nossos lares, nem dos nossos filhos, muito menos dos nossos pais.
Bem, cá estou eu; hospitais e centros de saúde... Onde me fui meter!!
“Queria de ti um país de bondade e de ternura!
Queria de ti um mar de uma rosa de espuma!...”
De: Mário de Cesaryni de Vasconcelos
Os centros de saúde o os hospitais, deveriam cuidar e tratar quando de tratamento e cuidado é carente, se no hospital no hospital, se em casa em casa. Muito importante a reter a e não esquecer.
Os centros de saúde, nas pessoas dos seus médicos de família, e não vou cair na tentação fácil de dizer mal dos maus, porque esses existem em todo lugar, são locais que têm um papel importante e complexo na vida dos velhos. Ali se procuram, não só as curas dos corpos como as curas das almas, os ouvidos que escutam, as palavras que consolam, etc. Os avanços na área da medicina e da ciência, têm proporcionado o aumento do tempo de vida, mas o sociedade não proporciona a manutenção da qualidade da mesma. Esse aumento não é sinónimo de desejo de viver. A tentativa de corrigir constantemente os valores bioquímicos dos indivíduos, levam a aplicação de terapêuticas pesadíssimas do ponto de vista físico e psíquico, e a um sentimento de culpa profunda por terem prazeres na vida que resta. As listas titânicas de doentes a ver, conjugadas com muitos outros problemas, levam a que a classe dos médicos de família, olhem em vez de verem... Alguma falta de sensibilidade do que é a velhice, retira qualidade de vida aos de idade mais avançada. Posso dar um exemplo e de um local e de um profissional que conheço. Na casa de repouso X, a taxa de mortalidade entre os utentes, (o número de residentes é bastante elevado), rondava as 3 por semana/11 por mês, e numa estimativa que se fez de consumo de drogas antidepressivas, ansiolíticas e soníferas, chegou-se á conclusão que 83% dos utentes, recorriam com regularidade a este tipo de drogas e que 56%, era mesmo consumidor diário. Depois de observar, com alguma preocupação, aquela amostra, o médico responsável decidiu em conjunto com a dietista, fazer alterações de ementas e de alguns hábitos. Os almoços de sábado, passaram a ser churrascos de carne ou peixe, mas nas arcadas, com os grelhadores ali á mão para buscar e comer e com acesso a 1dl de vinho tinto, e o almoço de domingo passou a ser numas semanas cozido á portuguesa e em outras transmontanas ou afim, sendo que depois, as visitas semanais eram feitas no pátio e nas arcadas, integradas na tarde de divertimento que incluía dança, teatro, declamação, etc., os dias deixaram de iguais, houve quebra de rotina, os utentes ajudam a organizar o próximo fim-de-semana, e todas as semanas há o objectivo de chegar fresco como um pêro ao próximo fim-de-semana. A taxa de mortalidade, diminuiu nos primeiros 3 meses para 1,8 por semana/7 por mês e ao fim de um ano para 1,1 por semana/4,5 por mês, e ainda, o consumo das drogas acima referidas passou para 58% de consumo com alguma regularidade e 18% os que consomem diariamente. Eu, talvez prefira viver 80 anos felizes, em vez de 82 angustiados, ou 90 a desejar morrer. Nós, quando tivermos idades bastante avançadas, teremos outras prioridades, que estão bastante longe das de hoje. Devemos nos esforçar para compreende-las assim como fazemos com as nossas crianças, se é que fazemos... Assim, não aumentamos as vidas mas sim os sofrimentos e as angustias. Nos hospitais, para além dos problemas que em parte, apesar de o carácter ser diferente, são idênticos aos dos centros de saúde, acrescem outros. As taxas de ocupação das enfermarias, atiram para a rua, pessoas que ainda se encontram muito instáveis, por vezes, felizmente a maioria, o regresso a casa e ao meio acabam por proporcionar a estabilidade, no entanto o número dos outros também não é pequeno... Para juntar a isso temos o fenómeno que consiste no facto de existirem pessoas que têm alta hospitalar à meses e até á anos, mas que ninguém as vai buscar ou visitar, e mais, todos os anos nas vésperas das festas anuais como as passagens de ano, pascoa, carnaval e mesmo natal, são internadas, ou melhor dizendo, abandonadas dezenas de pessoas nos bancos de urgência dos hospitais, ou com queixas altamente empolgadas, ou com situações de desespero psíquico, que são recolhidas, quando terminadas estão as festas. É prático, é fácil e é vergonhoso. Mesmo porque cada vez que se entra num hospital, as probabilidades de adoecermos aumentam a cada minuto que lá permanecemos, o que naquelas idades, é muito perigoso.
As igrejas e ou religiões, desempenham papeis em duas vertentes fundamentalmente; criadoras e disseminadoras de lares e afins e enquanto instituições religiosas e ideológicas, que é a vertente sobre a qual irei reflectir agora. Independentemente das fés que aclamam, das legitimidades e dos fundadores e até mesmo dos fins, têm um papel muito importante do ponto de vista social. De algum modo, estas instituições podem dar e transmitir, ou pela mensagem ou pelo apoio a causas, sensações de compreensão, bem-estar, objectivos e esperanças; transmitem razões para continuar a querer viver e lutar por isso. Envolvem as pessoas em projectos de caris voluntario ou não, mas que fazem as pessoas sentirem que têm um papel a desempenhar e que fazem falta na sociedade e á sociedade. Só neste sentido, estas instituições evitam que milhares de pessoas se afundem nas toxicodependências legais em que se tornaram os medicamentos, e que entopem os serviços de psiquiatria e psicologia dos hospitais, bem como os médicos de família nos centros de saúde.
Lares, casas de repouso e afins, e centros de dia. Antes de mais, quero separar os centros de dia das restantes valências. Penso que, os centros de dia, desde que projectados e mantidos com os devidos cuidados, podem ter um bom papel na sociedade, como têm o jardim-escola e o ATL (actividades em tempos livres), para as nossas crianças; principalmente se são necessários cuidados e vigilância suplementares devido ao deteriorar do estado de saúde. No entanto, e tal como nos J.I. e nos ATL, o problema é quando esgotamos completamente os horários; se abre às 7.00h, é às 7.00h que entra, se é às 20.00h que fecha é a essa hora que sai, ainda que os pais ou os filhos estejam em casa e até pudessem estar com eles. Quando fazemos isso com um filho, ele fará isso connosco no centro de dia. Mais uma vez, este problema não pode ser visto pelo lado das obrigações mas antes pelos princípios de respeito e do desejo de reunir a família logo que possível. Assim entendo que os outros locais de internamento, apesar de se chamarem muitas outras coisas, são e estão por princípio mal. Acho principalmente que são uma sociedade paralela com realidades á parte e que desconhecemos, não as querendo conhecer. Ouço por vezes idosos a dizerem que “logo que chegue a minha altura, vou para lá espontaneamente, porque é o melhor para mim e para o meu filho”; bem sei que na maioria dos casos mentem, e mentem por razões óbvias. Antes irem que serem levados, ou seja, porventura será o seu último acto de liberdade (como se ela existisse), ou até talvez uma questão de dignidade própria… pelo menos não terão de, envergonhados e tristes, admitirem para consigo e para com os outros que “tenho uns filhos de merda que me enfiaram num asilo”. “Fui eu que escolhi, e vim!”. Quando a mim, acho que esse á só o principio do fim. Quando era pequeno, recordo-me de, muitas vezes e em muitas ocasiões, ouvir uma história que me diziam ser verdadeira, em que se relatava que um dia, estando um homem já muito velho, e de acordo com a tradição, o seu filho acompanho-o ao cume da montanha onde era costume os velhos serem deixados nos fins das suas vidas. O velho trazia com ele um pão, um pote de mel e uma manta. Ao despedirem-se o velho agarrou na manta e rasgou-a ao meio, dando uma metade ao filho dizendo, “toma e leva para que tenhas com que te tapares um dia quando vieres para este mesmo local”, trazido pelo seu filho, neto do velho… A tradição terminou nesse dia, e o velho envelheceu no aconchego do lar, junto dos netos que o viram morrer…
Os lares podem ter vários nomes; casas de repouso, hotéis sénior, resort do descanso, podem cobrar mensalidades que vão dos 500.00€ aos 4.500.00€, (sim não me enganei no número), podem ter massagens, biblioteca, jardim, golfe, restaurante e médico ou tão simplesmente uma tábua para morrer, mas são e serão sempre o cume da montanha de um velho; e eu não gostaria de para lá ir. A alta rentabilidade do negócio tornou-o apetecível e os locais nascem como cogumelos sobre a matéria orgânica morta, que é a família. Conheço-os muitos e de muitos géneros, bons, maus, limpos, sujos, cuidados e descuidados, apetecíveis e nojentos, mas deveriam ser sempre de ultimo recurso, e só para órfãos de família, gratuitos (suportados pela sociedade e pelo estado que somos nós). Repito os “lares” não são nenhuns lares e por principio, estão mal e a sua utilização actual está errada.
Agora, o que me falta? Deixa-me cá ver! Há, governantes!... Os velhos em particular, não são vistos de modo especial, nem diferente do resto dos portugueses; rentabilidade!
Enquanto criança, acelera-se o crescimento para rapidamente se transformarem em contribuintes, enquanto contribuintes, exploram-se até aos últimos suspiros, enquanto velhos, quanto mais degradada for a vida, mais rapidamente desaparecem, aliviando as seguranças sociais e os ministérios das saúdes e afins com os seus consumos sem qualquer rentabilidade… Sinceramente, acho que nessa matéria, possivelmente não iremos melhorar muito, mesmo porque os governantes já de hoje e os de amanhã, nasceram e cresceram em uma sociedade paralela onde não existia velhos; pelo daqueles que cuidamos em casa, simplesmente porque são nossos pais, gostamos deles e são os nossos pais e avós, são os patriarcas e as matriarcas dos nossos clãs… Tenho a ideia que a principal causa das politicas sociais estarem mal é o facto de se não saber exactamente o que constitui e como se constitui a sociedade…
Realmente, constato que a sociedade tem muito para aprender acerca deste assunto. No tempo dos nossos pais, os filhos, eram encarados como mão-de-obra barata, necessária para a agricultura e não só, com poucos cuidados e preocupações, tinha-se grandes quantidades de filhos, sem que eles e as suas educações fossem causa de grandes preocupações. As crianças nas últimas décadas, tornaram-se muito importantes nas vidas dos pais desta sociedade, assumindo um papel central, mas não muito… Os pais até os querem seguir mesmo depois de formarem as suas pequenas famílias. Nem os pais nem os filhos, estão muito interessados em reflectir no facto de ambos sofrerem mudanças físicas e psíquicas naturais e progressivas, decorrentes da existência e que não pedem licença para chegarem e se instalarem. Assim, o ambiente é geralmente de incompreensão, de increspamento e de intransigência. As vidas modernas e os seus problemas crescentes, vão fazendo com que os filhos também deixem de fazer parte das vidas dos pais, aliás conheço casas onde habitam os pais e os filhos, mas em que ninguém faz parte da vida de ninguém, limitando-se a partilhar espaços e a cruzarem-se, não se conhecendo, não se ajudando, não partilhando, não rindo e não sofrendo juntos… Os pais não têm tempo para os filhos, o pai não tem tempo para a mãe nem vice-versa, os filhos não têm tempo para os pais nem para os avós, os filhos não têm tampo para os velhos e estes por sua vez têm tempo, mas não têm ninguém. As crianças têm de ser envolvidas em todo o processo de evolução e desenvolvimento de todas as fases da vida e da família. As famílias têm de ter um lar. As famílias têm de ser uma célula forte e coesa, onde exista amor, respeito mútuo entre os elementos, entrega, muito bom senso e compreensão. O elementos mais velhos da família devem ser encarados como os patriarcas e matriarcas dos nossos “clãs” e em redor dos quais as famílias se devem reunir, na sua diversidade de pequenas células familiares que entretanto se foram formando. Os patriarcas e matriarcas, devem marcar as suas posições de tal, demonstrando e relembrando que o são e não se divorciando desses seus direitos que ao mesmo tempo são deveres. As crianças devem ter conhecimentos empíricos, sobre a velhice, o que é envelhecer e a morte natural pela soma dos anos de vida. As famílias têm de lutar por serem felizes juntas; se não temos tudo o que amamos, amemos tudo o que temos… Os actuais contornos do envelhecimento são muito preocupantes, mas podemos alterá-los, e sermos muito felizes com as alterações. Todos temos um papel muito importante neste processo, de que não podemos prescindir. Gostaria muito de ver os velhos respeitados, porque uma sociedade que não respeita e acaricia as suas crianças e os seus velhos (nas suas qualidades de, futuro e de sabedoria respectivamente), não tem futuro e perde o seu passado, logo se descaracteriza e perde razão para existir. Em culturas supostamente mais evoluídas, estes processos levaram ao auto extermínio e ao desaparecimento.
Será o futuro da nossa?
Seremos nós simples organismos multicelulares, cuja função única e primordial é a manutenção dos genes…
© Mário Rodrigues - 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O AMOR EM VISITA...
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
- Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.
Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.
E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.
Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
- Então cantarei a exaltante alegria da morte.
Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
- Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra - invento para ti a música, a loucura
e o mar.
Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.
Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida - e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.
Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira - para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.
Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.
Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.
Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.
Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.
Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.
Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.
Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.
De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável -
em cada espasmo eu morrerei contigo.
E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.
Autor: Herberto Helder
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Nunca esperei tal coisa...
Repenso e reflicto sobre a história e o passado...
A culpa sempre foi minha!
Aliás, neste, como em outros casos de idênticos contornos, a culpa foi sempre minha. Tenho de o assumir com frontalidade e sem desculpas hipócritas. Que culpa têm os outros das expectativas que depositei neles? Quando e de que modo os questionei acerca delas? Aliás, para ser sincero, nem eles tinham ou têm consciência da existência e da dimensão das tais expectativas que foram depositadas neles!
Reflicto mais um pouco sobre isso. Acho mesmo que, nem poderiam saber, sob pena de que, sabendo, fossem tomados de um exercício de cinismo e encenassem ema personagem para representar no palco das nossas vidas, que então seria uma farsa. Ou então, poderiam ainda ser genuínos, e ignorado como realmente sou, as minhas expectativas caiem por terra, desiludindo-me permanentemente.
Terei eu, alguma legitimidade para depositar expectativas nos outros, e ainda esperar que eles correspondam a elas? Mesmo porque isso é um autêntico jogo de lotaria. Esperar que alguém acerte em algo que nem sequer tem consciência que seria para acertar, só para corresponder às minhas expectativas! Parece-me muito pretensioso da minha parte...
Vou reflectir mais um pouco sobre isto...
Vem-me á lembrança que muitas vezes crio expectativas em pessoas com base nas promessas que me fazem; ou pelo menos em declarações que eu compreendo como se tratando de promessas. Reparo ainda que ao longo da minha vida tenho criado expectativas por razões muito estúpidas! Caras, sorrisos, olhares, espetos exteriores e ou interiores, frases... Eu sei lá... Sou um bocado parvo, e mesmo maniento! Achar que tenho o direito, silencioso e de exclusiva existência na minha cabeça, de esperar que pessoas façam e que eu espero que façam... Quantas vezes espero, que façam coisas incoerentes em contextos diferentes?
O mundo desilude-me tão só porque eu me iludi acerca dele. E ele não tem qualquer obrigação de o não fazer... Estranho seria se tal acontecesse...
Aí... Aí a minha postura perante os mundos mudou. Quanto menos espero, menos me angustio e desiludo com a frustração das expectativas que não tenho. E cada vez mais, espero nas pessoas de quem nada espero, e tudo obtenho...
© Mário Rodrigues - 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
O meu horóscopo...
AMOR: Se tiver alguém interessado(a)
em si, vá dando trela sem se envolver,
só para ir alimentando as expectativas
em relação à coisa. Ter alguém interessado
em nós é sempre bom para o
ego, mesmo que não se goste dessa
pessoa.
SAÚDE: Estatisticamente, este será o
ano em que urinará mais, de todos os
da sua vida.
DINHEIRO: Este ano vai ter que trocar
as notas de 5 e 10 contos que tinha
guardado para colecção.
OBJECTO DA SORTE: Nota de 5 ou
10 contos
in "Revista365, nº30"
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Afinal não passo de um grande sacana...
Se não fosse o que discordo, como teimaria no que concordo??
© Mário Rodrigues - 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Dias úteis...
...não raras são as vezes que um ansiolítico faz parte da ceia de domingo.
Adoro trabalhar sempre que esse trabalho está a ser útil de alguma maneira e ou a alguém , caso contrario limito-me a me arrastar pelo mundo para a sopa (minha e da família ). Gosto de pensar, de inventar, de suar, de ajudar, etc. Eu...não gosto de cavar, gosto sim de ver as flores crescerem, não gosto de "alombar", mas antes da “narta” que proporciona uns momentos com os amigos e a família a dissertar sobre uma...qualquer.
Mas fiquei a pensar, no termo, "dias úteis". Será que os dias que mais prazer me dão, são inúteis?!
© Mário Rodrigues - 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Buxo Sempervirens
Este arbusto é muito utilizado para a topiária. A folhagem é verde escura, muito resistente e regenera-se bem das podas semestrais. Como características principais do buxo, destaco a sua durabilidade e rusticidade, com poucas exigências de manutenção. Deve ser cultivado a sol pleno, com solo fértil e regas regulares. É tolerante ao frio...
© Mário Rodrigues - 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Cinema Paraíso
© Mário Rodrigues - 2009
Preambulo às instruções para dar corda ao relógio
Autor: Júlio Cortázar in "Histórias de Cronópios e de Famas"
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Passos em redor do mesmo…
È simplesmente uma sequência de realidades, algumas “destroçantes”… mas que nos amaçam, como o diabo amaça o pão com as suas pútridas mãos…
© Mário Rodrigues - 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Amores descartáveis…
O amor não é coisa que se procure, ou que se compre, apesar de muitos o entenderem dessa maneira.
As pessoas, e infelizmente não estou só a falar dos, “teenager inconsientes”, têm medo de olhar para o seu interior, talvez porque possam não gostar do que vêm. Não param, não fazem “intervalos”, não reflectem, não ponderam… e sinceramente acho que não vivem… apenas correm atrás de um, “dar nas vistas”, que chega a ser inconsciente.
Um amor, um filho, um amigo… e outros marcos das nossas vidas, são únicos, e contendo-nos, contêm-nos. Jamais um, ocupa o “espaço” de outro, são muito poucos, irrepetíveis, insubstituíveis, são pedaços (muito grandes de nós) … e esses devemos lutar por mente-los e aumenta-los, se os perdemos; perdemos pedaços de nós, pedaços tão grandes, que podem por em risco a nossa identidade e a nossa vida…
© Mário Rodrigues - 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O infinito e mais aquém…
Depois, mas só depois; força, matéria e alquimia, em absoluto simultâneo…
© Mário Rodrigues - 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Como chorar...
Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas e nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos."
Autor: Julio Cortázar in "Histórias de Cronópios e de Famas")
sábado, 1 de agosto de 2009
Haveremos de ser um dia…
…Pessoas que felizes no nosso íntimo, constataremos o bem-estar e os sucessos dos nossos companheiros de “viagem”…
…Pessoas, que não nos achando, melhores e mais distintas que outras, olharemos pelos interesses e bem-estar de todos, não só porque fazendo-o, fazemo-lo a nós próprios, mas também pela obrigação de o fazer a quem jamais nos poderá retribuir…
…Uma enorme multidão de pessoas, que pelas ruas pediremos a todos os que connosco se cruzarem, para que tão-somente, vivam de modo inócuo para com os outros. E então, com a luz que nos será endógena, provocarmos o desejo de nos acompanharem…
E então; então seremos dignos da denominação de seres humanos e inteligentes…
© Mário Rodrigues - 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Deixei a luz a um lado
da cama em desalinho me sentei,
sombrio, mudo, os olhos imóveis
cravados na parade.
Que tempo estive assim? Não sei; ao deixar-me
a horrível embriaguez da dor
já expirava a luz, e na varanda
ria o sol.
Não sei tão-pouco em tão terríveis horas
em que pensava ou que passou por mim;
recordo só que chorei e blasfemei
e que naquela noite envelheci.
Autor: Gustavo Adolfo Bécquer
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Saudades...
Persiste e insiste numa tentativa de nos sufocar…
Verga-nos o dorso, subjugando-nos…
O alvo, é o que há de bom na saudade, mas que no momento dela… tem um sabor “pálido”, é de um cinzento “amargo”, é…
A saudade, esventra-nos, deixando-nos ocos, vazios… corroídos…
© Mário Rodrigues - 2009
sábado, 25 de julho de 2009
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Autor: Miguel Torga
Talvez - Primeira parte, bocado nº3
Nas ruas ouvia com frequência que quem partia para ocidente, mandava dinheiro para os que ficavam. Os dias, no leste, eram difíceis… Uma vizinha disponibilizou o contacto de um senhor, que…
- Viaja, e arranja trabalho para mulheres em fábricas e a tomar conta de crianças… - Recebem bom dinheiro! – Dizia a angariadora.
A realidade dos últimos doze anos, foi-lhe bem diferente. Checa, passou por Amesterdão, antes de Barcelona e Lisboa. “Casa Rosso” primeiro e “Bagdad Club” em Barcelona, foram as “fábricas” que Checa viu quando chegou ao, “maravilhoso mundo do ocidente”. Um bar de alterne, nos subúrbios de Lisboa, pô-la a tomar conta de “crianças”. Foi conseguindo arranjar algum dinheiro para comprar um microscópico Tzero, longe do “infantário”. Uma relação “laboral” mais persistente com um cliente, acabou por a tirar de lá.
Júlio, não será exactamente um príncipe encantado, mas, depois de a ter achado, exclusivamente “boa”, começou a ver nela alguém que lhe ouvia os “ventos de revolta” que há muitos anos, “trovoavam”, a sua relação com a sua esposa.
Checa trabalhava agora, como doméstica, em algumas casas de pessoas que, apesar de terem menos habilitações que ela, tinham dinheiro para lhe pagar ao fim do mês. Planeava, agora a possibilidade de trazer para junto dela a sua filha.
AVISO: ATENÇÃO! É possivel que isto continue.
© Mário Rodrigues - 2009
Resposta a Cybe, in "O insubestimavel prazer de observar…"
Tenho enorme respeito por todos os comentários que me dirigem, e a propósito disso, transcrevo para aqui, algo que escrevi no outro dia.
“…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque, fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo, caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…”
Assim, os comentários, muito menos os teus, são “manchas”, entendo-os sempre como complementos.
Esse eventual defeito de que falas, é tentador, caio também algumas vezes nele, no entanto tem se desvanecido á medida que vou “conhecendo”, outras pessoas que também observam, também respiram lentamente para saborear o ar da manhã, e essas personalidades, são transversais à sociedade, às classes, às habilitações… algumas delas…algumas delas estão internadas, separadas da restante “sociedade normal”, e chamam-lhes… Muitas delas são pessoas livres, sem amarras, amarras de que não nos conseguimos libertar, mas que eles, ditos insanos, pairam acima de nós, em voos rasantes às nossas cabeças que nos assustam, e onde eles largam grandes e rasgadas gargalhadas.
Parafraseando-te, "de uma maneira ou de outra, o mundo faz-se belo todos os dias, mas não é só para mim, é para todos os que queiram ver a sua beleza. Observar, além de um prazer, é um mandamento."
© Mário Rodrigues - 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
O insubestimavel prazer de observar…
Acordei muito antes, do despertador que normalmente já costuma tocar depois de eu acordar. O dia ainda não tinha “nascido”. Olhei em redor… e reparei que, com a pouca luz que existia no quarto, observei a minha companheira de “guerra”, de um modo que me não lembro de alguma vez ter feito; meramente biológico. Realmente, a vida é uma grande maravilha. Dormia suave e silenciosamente, aquele complexo bioquímico, organizado numa verdadeira prova de mestria inimitável. Levantei-me e fui até uma janela que abri… Um ar fresco e rico em oxigénio, inundou-me os pulmões de assalto de um modo que quase me provocou dor… O silêncio da manhã e o espectáculo de ver um dia nascer, é-me muito agradável. Mesmo muito. Utilizo-o muitas vezes na sequência de dias menos fáceis. Pergunto-me a mim mesmo, quanta sorte tenho em estar a assistir a um espectáculo, que apesar de se repetir diariamente, raramente reparo como é belo, e tão raramente usufruo da energia inigualável que ele me proporciona. Apesar da minha existência, ser completamente indiferente a ele mesmo, (o nascer do dia).
Ao sair de casa, vi uma minúscula flor violeta de quatro pétalas, que seria capaz de jurar que não existia numa pequena racha do muro de pedra. Aliás, nem tinha reparado bem que o muro era daquelas pedras; grandes. Aquele muro é um enorme habitat. Aquele muro… é o universo de muitos seres… Como será o “muro” que alberga o habitat de seres dos quais eu faço parte, visto pelos olhos do transeunte que acorda cedo e repara num mero muro de pedra?
© Mário Rodrigues - 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
As palavras...
e podem dar-nos morte violar-nos tirardo mais fundo de nós o mais útil segredo entre nós e as palavras há perfis ardentes espaços cheios de gente de costas altas flores venenosas portas por abrir e escadas e ponteiros e crianças sentadas à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos há palavras de vida há palavras de morte há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar há palavras acesas como barcos e há palavras homens, palavras que guardam o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente, as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras noturnas palavras gemidos palavras que nos sobem ilegíveis à boca palavras diamantes palavras nunca escritas palavras impossíveis de escrever por não termos conosco cordas de violinos nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar e os braços dos amantes escrevem muito alto muito além do azul onde oxidados morrem palavras maternais só sombra só soluço só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Autor: Mário Cesariny
sábado, 4 de julho de 2009
A Dama desceu ao bloco...
© Mário Rodrigues - 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A excitação de uma noite voraz…
© Mário Rodrigues - 2009
20 anos de casamento podem ser muito bons...
-Cheiras a rosas!
Naquela manhã, ela ouviu o "chilrear" das águas do ribeiro. Naquela manhã, ele abandonou-se e leu-lhe os movimentos… Naquela manhã, ela desejou-o como nunca… Naquela manhã, ela pareceu-lhe decidida e apaixonada pelo facto de ser mulher. Naquela manhã, ela sentiu-se olhada… Naquela manhã! Naquela manhã, desvendaram-se… Naquela manhã, amaram-se… Naquela manhã… Naquela manhã, foram muito felizes…
© Mário Rodrigues - 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Haveremos de ser um dia…
…Pessoas que se desviam nos seus automóveis, para as ambulâncias passarem e que se não colam a elas para passarmos todos os outros que obedientemente, ou tão simplesmente ocupam as suas posições na fila de trânsito…
…Pessoas que nos banquetes dos casamentos, só comeremos e que devemos e não encheremos pratos e pratos de comida que deixaremos intactos em cima das mesas, e onde colocamos guardanapos e beatas de cigarros, garantindo que aqueles alimentos irão para o lixo…
…Uma enorme multidão de pessoas, que pelas ruas pediremos a todos os que connosco se cruzar, para que tão-somente, vivam de modo inócuo para com os outros. E então, com a luz que nos será endógena, provocarmos o desejo de nos acompanharem…
E então; então seremos dignos da denominação de seres humanos e inteligentes…
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Conspiração de morte...
terça-feira, 30 de junho de 2009
Não, não é nenhuma novidade...
Planeamento familiar? Onde?
1. A população activa e em idade de planeamento familiar, está a trabalhar às 11.00h, a menos que estejam desempregados.
2. Às 11.00h dos dias 30 de cada mês, já não existem consultas disponíveis, visto que os utentes se deslocam para uma fila a partir das 7.00h.
3. A culpa da situação é atribuída, pelo centro de saúde, ao facto das pessoas se deslocarem muito cedo para lá. Discordo pelo simples facto de que, enquanto se disponibilizar 20 consultas para 1000 pessoas, de certo que em breve as pessoas passarão a ir para lá uma semana antes.
4. As mulheres em idade fértil, activa e não só, servidas por este centro de saúde, não têm qualquer possibilidade de fazer consultas de planeamento, bem como os respectivos cuidados de prevenção das neoplasias da mama do colo e outras que deveriam ser vigiadas, sinalizadas e tratadas atempadamente, sendo que se trata de patologias em que a prevenção é igual a manter-se viva.
domingo, 28 de junho de 2009
O amor...
©Mário Rodrigues
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Luzes de fé...
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Mais antiga profissão do mundo
P.S. – A prostituição infantil eleva estas preocupações a um expoente ilimitado. Tentarei reflectir sobre ela.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Medidas muito grandes...
A partir de agora os “Buracos financeiros do estado vão ser contabilizados em “Cristianos Ronaldos" (Jornal Publico de sexta feira 19/06)
domingo, 21 de junho de 2009
Quico...
A águia tem filhotes para alimentar, mas se fito for teu olho, nenhum “aguito” te irá papar. Senti-me bem com a tua companhia, mas… a vida é mais que um dia. Vai, corre, corre e faz amigos entre os outros. Perto um “orelhudo” ficou a espreitar. Agradeço-te e nunca esquecerei o adeus que me vieste dar. Corre livre meu pequeno amigo, corre livre e sê feliz; que eu... Eu por aqui vou ficar… : (
©Mário Rodrigues
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Energúmenos irresponsáveis
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Paraíso dos irresponsáveis
Um jovem, teve a triste ideia de testar o sistema que suporta a base de dados dos cadernos eleitorais, e o que fez o corajoso ingénuo? Tendo mudado de residência, foi alterar a sua morada e nestas passadas eleições, resolveu fazer o teste, e… pois claro, foi votar nos dois sítios para ver de “dava”. Deu. Não satisfeito e por ter uma vontade enorme, (quanto a mim justificada e subscrita), de gritar que isto é um bando de energúmenos irresponsáveis, foi ao jornal da localidade, (salvo erro, Diário de Leiria), e denunciou a possibilidade que existe de praticar a fraude comprovadamente e exercitada pelo próprio! Resultado, o responsável pela comissão de eleições, desvalorizou dizendo que esse facto não tem valor estatístico, e que se ficou a dever a um erro do malogrado computador, (já era tempo de as pessoas compreenderem que culpar um computador de erros humanos, é sinonimo de um nível de iliteracia estupidificante bastante alto, sendo que ficam mal nessa fotografia), e assim sendo resta processar o dito jovem por crime de fraude contra a democracia de um estado de direito, crime punido com não sei o quê, mas uma coima vem de certeza! Não?
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Hoje, em passo de corrida.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Hoje não falo...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
"Sá" me faltava mais essa.
“- Conforme publicado no DR de 34 de Oitembro, no ponto K da alínea X do art. Do coiso... – O limite máximo para o tempo de um orgasmo é definido pelo coeficiente de relação entre a matéria colectável e o PIB, tendo em conta o extracto social a que pertence, deduzidos os rendimentos auferido no período fértil da coisa...”
"Sá" me faltava mais essa.
domingo, 31 de maio de 2009
A sociedade em camadas...
©Mário Rodrigues
sábado, 30 de maio de 2009
O inferno
Autor: Italo Calvino in "As Cidades Invisíveis"
Acasalamento...
As mulheres poderiam ser só as donas do mundo...
Correndo o risco de abrir uma "pandorice", acho que as mulheres são as verdadeiras inventoras do machismo. Devo, obrigatoriamente, abrir as excepções honrosas às mulheres que lutam pelo contrário, têm a minha sincera admiração e solidariedade. Mas são poucas.
Poderá não ter nada a ver com o assunto, mas apetece-me chamar cobardes, assassinos, estúpidos, miseráveis e outras coisas (de momento sé me estou a lembrar de mimos), aos palhaços que levantam a mão a uma mulher, quanto mais se as agredirem...
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Sapiens? 2
Sapiens?
Divertimentos secretos...
Lembrei-me de uma provável estupidez; Os cães mordem nos estranhos, os gatos nos donos. Os homens não, mas também, ou antes pelo contrário.
E posso ainda...
Este é o último dia do...
quinta-feira, 28 de maio de 2009
A Dama desceu ao bloco...
Hoje, vou fazer uso pleno do meu egocentrismo. Sinto-me... Não vale a pena.
Tudo corria na aparente normalidade rotineira: bom clima, bom texto, escrita porreira, Marillion ainda com direito a Fish... E então, começa a descompensar. E, e, e... Instala-se o caos, sincronizado e normal para o caso. Pressente-se a presença da... dama negra, flutuando... Os movimentos tornam-se perpétuos e, estranhamente, retardados.
Sem qualquer pudor, arranca-nos das mãos o seu tributo. Nunca hei de estar preparado para a desvida... Hoje, não me apetece chamar-lhe outra coisa.
Depois, a cruel trova do… “Hora do óbito: onze horas e trinta e sete minutos do di…”
Merda. Saí de uma hora de duche… Outra vez.
Estes anos de contacto com sofrimento rebentam com qualquer um.
Talvez já volte…
quarta-feira, 27 de maio de 2009
O pecado...
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Escorre
© Mário Rodrigues - 2009
Dias úteis...
Antes de mais, tenho a dizer que, tal como no meu caso, não são raras as vezes em que um ansiolítico faz parte da ceia de domingo.
Adoro trabalhar, desde que esse trabalho seja útil de alguma forma e para alguém. Caso contrário, limito-me a arrastar-me pelo mundo para garantir a sopa, minha e da família.
Gosto de pensar, de inventar, de suar, de ajudar, etc. Eu… não gosto de cavar; gosto, sim, de ver as flores crescerem. Não gosto de "alombar", mas aprecio da "narta" que proporciona momentos com os amigos e a família, a dissertar sobre uma… qualquer.
Mas fiquei a pensar no termo "dias úteis".
Será que os dias que mais prazer me dão são inúteis?
© Mário Rodrigues - 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Omeletas sem ovos...
Querer fazer omeletas sem ovos já é sinal de alguma loucura, mas matar as galinhas é coisa de gente totalmente doida.
Ah! Ok, foram eleitos… então está bem…
quarta-feira, 13 de maio de 2009
- Quem? Chulo, parasita! O que é que pagar, tem a ver com receber?
Hoje, o dia tem sido angustiantemente melancólico.
Sinto-me defraudado e enxovalhado pelos governantes do país onde nasci, cresci, amo e luto para que seja um pouco melhor.
Entre ouvir Red House Painters e… Não é hoje que vou prescindir do meu bálsamo da alma. Ai, Rodrigo Leão…, se soubesses…
Quero, neste momento, afirmar aqui, como quem deseja dizer algo para todos ouvirem, até mesmo aqueles que põem algodão, tampões e tudo o mais nos ouvidos, para que não lhes cheguem os brados dos que gritam:
Os portugueses não têm os governantes que merecem!
Os portugueses, ainda que tenham, em grande parte, o espírito de ovelha que segue na fila sem grande protesto, são, na sua maioria, gente de boa-fé. Analfabetos, iletrados, letrados e tudo o mais, merecemos, acima de tudo, ser tratados com respeito por aqueles que sustentamos, não apenas no corpo, mas também na alma, no ego, nos vícios, nos desperdícios e até nos chicotes que nos chicoteiam.
A cultura de vir permanentemente tirar "trigo" do celeiro para o qual não só não contribuem, mas que também incendeiam, enquanto espancam e matam os escravos que se arrastam na seara para mantê-lo com alguma coisa...
Esta política de cobrança de impostos, compulsivamente, terá e tem a sua justificação. Mas quem a impõe não tem a menor legitimidade moral para o fazer. Quem leva dois e três anos a pagar, quando paga, não tem absolutamente nenhuma legitimidade para cobrar, coimar, julgar e punir aqueles que, mesmo deixando de comer e permitindo que os filhos lhes morram nos braços de fome, ainda assim conseguem pagar os impostos resultantes das facturas que emitiram para um "Estado" que nunca as pagou.
Isto, realmente, é muito grave. Mas há algo ainda mais grave.
Depois de nos comprometermos a cumprir planos para pagar o que não devíamos pagar — impostos pelo… falta-me a palavra, apesar de o meu vocabulário não ser exatamente curto ou limitado… — e, efetivamente, cumprindo-os, recebemos, em tom de "vamos dar cabo desses… todos", a notícia, enviada por correio registado e mais não sei o quê, de que… pois; era, mas agora já não é.
Despe a roupa e vai-te prostituir, que agora quero tudo de uma vez e rápido.
— "Ah, e tal, não recebi!"
— "Quem? Chulo, parasita! O que é que pagar tem a ver com receber?"
© Mário Rodrigues - 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Abril ainda está por fazer…
Abril...
Vagueando pelos meus documentários, dei com os olhos em Capitães de Abril. Sei bem que não é um documentário, mas, na minha prateleira, está nesse lugar o dos documentários.
Tinha quatro anos no dia 25 de Abril de 1974. Não resisti a dar uma olhadela pela 225.ª vez e, mais uma vez, como da primeira vez que o vi, chorei novamente… e principalmente, chorei por continuar a sentir vontade de chorar quando o vejo.
Abril ainda está por fazer.
Abril foi e é, todos os dias, enxovalhado e vergonhosamente tomado por bocas e mãos que nunca o entenderam, mas sempre o usaram.
Abril ainda está por fazer...
Abril ainda está por fazer...
Abril ainda está por fazer...
© Mário Rodrigues - 2009
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