terça-feira, 21 de julho de 2009

O insubestimavel prazer de observar…

Hoje, sem compreender exactamente porque, acordei!
Acordei muito antes, do despertador que normalmente já costuma tocar depois de eu acordar. O dia ainda não tinha “nascido”. Olhei em redor… e reparei que, com a pouca luz que existia no quarto, observei a minha companheira de “guerra”, de um modo que me não lembro de alguma vez ter feito; meramente biológico. Realmente, a vida é uma grande maravilha. Dormia suave e silenciosamente, aquele complexo bioquímico, organizado numa verdadeira prova de mestria inimitável. Levantei-me e fui até uma janela que abri… Um ar fresco e rico em oxigénio, inundou-me os pulmões de assalto de um modo que quase me provocou dor… O silêncio da manhã e o espectáculo de ver um dia nascer, é-me muito agradável. Mesmo muito. Utilizo-o muitas vezes na sequência de dias menos fáceis. Pergunto-me a mim mesmo, quanta sorte tenho em estar a assistir a um espectáculo, que apesar de se repetir diariamente, raramente reparo como é belo, e tão raramente usufruo da energia inigualável que ele me proporciona. Apesar da minha existência, ser completamente indiferente a ele mesmo, (o nascer do dia).
Ao sair de casa, vi uma minúscula flor violeta de quatro pétalas, que seria capaz de jurar que não existia numa pequena racha do muro de pedra. Aliás, nem tinha reparado bem que o muro era daquelas pedras; grandes. Aquele muro é um enorme habitat. Aquele muro… é o universo de muitos seres… Como será o “muro” que alberga o habitat de seres dos quais eu faço parte, visto pelos olhos do transeunte que acorda cedo e repara num mero muro de pedra?

© Mário Rodrigues - 2009

4 comentários:

  1. - Hoje, quando "nasci", já o ilustre Mário Rodrigues aguardava a minha chegada! Como é bom encontrar, à minha espera, aqueles para os quais eu venho!


    In O Diário do Nascer do Dia

    Inventei agora, estimado Mário. Não lhe és indiferente...

    Um abraço!

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  2. Caríssimo Gemini,
    Apesar de também achar que “Lhe” não sou indiferente, penso que devo cultivar este contexto de humildade… mantém-me mais cauteloso… e observador, já agora. A frase, “…Como é bom encontrar, à minha espera, aqueles para os quais eu venho!”, faz-me lembrar a parábola das três virgens. Apesar de eu não ter muito de virgem. :))
    Mas, fica também sabendo, que me relembraste mais uma razão para eu admirar tal espectáculo.

    Um abraço

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  3. Mário, que dificuldade tenho em manchar um texto perfeito com um comentário. Porque pode limitar quem chega depois, porque é apenas mais um lado, que cerceia.

    Ainda por cima porque tenho, às vezes, o defeito, que tento corrigir, de achar que tudo adormece quando durmo. Chego a duvidar se o pormenor que ninguém vê não acaba por exisitr só para mim, ou se os que não vejo chegarão a existir para alguém. Daí que acabe por me questionar se aquela flor não será apenas tua...

    E as pedras... Em dias imagino as mãos que as colocaram. Quanto mais antigas mais me espanto. Imagino o cinzel a parti-las algures no mundo. Mas noutros dias acho que já nasceram assim, só para eu as ver.

    Ao ler o teu texto acabo por achar que o que tiveste não foi sorte. O espectáculo existe, e é para ti. Foi-te dedicado, exactamente assim para que só tu pudesses admirar. Afinal, mais ninguém viu, pois não? Tu é que estavas no local certo à hora certa. Mais um minuto e talvez o telefone tocasse, talvez espantasses uma borboleta do vidro que pousaria desastradamente na flor, fazendo-a cair... O "talvez", sempre a margem do nosso sonho...

    Se tivermos sorte, pode ser que esse transeunte que referes consiga admirar-nos a beleza do habitat, ou podemos ter o azar de simplesmente nos pôr um pé em cima... Aí acaba-nos com as dúvidas e também com as fantasias.

    De uma maneira ou de outra, o mundo faz-se belo todos os dias, para ti. Observar, além de um prazer, talvez fosse um mandamento.

    Um abraço!

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  4. Olá Cybe,
    Tenho enorme respeito por todos os comentários que me dirigem, e a propósito disso, transcrevo para aqui, algo que escrevi no outro dia.
    “…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque, fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo, caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…”
    Assim, os comentários, muito menos os teus, são “manchas”, entendo-os sempre como complementos.
    Esse eventual defeito de que falas, é tentador, caio também algumas vezes nele, no entanto tem se desvanecido á medida que vou “conhecendo”, outras pessoas que também observam, também respiram lentamente para saborear o ar da manhã, e essas personalidades, são transversais à sociedade, às classes, às habilitações… algumas delas…algumas delas estão internadas, separadas da restante, “sociedade normal”, e chamam-lhes… muitas delas são pessoas livres, sem amarras, amarras de que não nos conseguimos libertar, mas que eles, ditos insanos, pairam acima de nós, em voos rasantes às nossas cabeças que nos assustam, e onde eles largam grandes e rasgadas gargalhadas.
    Parafraseando-te, de uma maneira ou de outra, o mundo faz-se belo todos os dias, mas não é só para mim, é para todos os que queiram ver a sua beleza. Observar, além de um prazer, é um mandamento.
    Muito obrigado pelo teu comentário.
    Um abraço do Mário

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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