quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Insólitos… CINCO HISTÓRIAS NOCTURNAS

HISTÓRIA DO DITO CUJO
Se eu quisesse, podia contar muitas histórias sobre o dito cujo.
Mas basta esta, a primeira que me vem à cabeça. Um belo dia, após uma
bela noite de sono, o dito cujo abriu os olhos, levantou-se da cama, dirigiuse
ainda meio ensonado ao quarto de banho, olhou para o espelho e, oh!,
fez uma careta terrível! Caramba, a terrível careta que ele fez! E depois
disse: “Xanto Deux, o gue agontexeu à minha gara? Parexo o Gregor Xamxa.”
O que significa: “Santo Deus, o que aconteceu à minha cara? Pareço
o Gregor Samsa”, mas ele pronunciava mal as palavras, por causa daquilo
que acontecera à sua cara durante a noite. E é tudo.

QUANDO O SILÊNCIO CAIU EM VOLTA
A noite era de um esplendor invulgar. A lua, embora não estivesse
cheia, brilhava e envolvia toda a paisagem com uma beleza que desafiava
qualquer tentativa de descrição. Os campos estavam cheios de sombras
amenas. Não havia vento, nem o mais leve sopro. Os demais corpos celestes
derramavam sobre o lago uma luz pura, estável, branca. As árvores
estavam como que hipnotizadas numa espécie de encantamento misterioso.
A senhora Ava Novak estava sentada na varanda, desfrutando
das ternas e encantadoras sensações daquela noite maravilhosa, e sonhava,
sonhava, sonhava, contemplando a lua resplandecente. Depois, por um
momento, todas as cigarras se calaram, o silêncio caiu em volta e a senhora
Novak deu um pum.

CONSEQUÊNCIAS DE UMA NOITE DE FOLIA
Depois de uma longa e bem preenchida noite de bebedeira, Zavala
Zabehlice acordou dentro de uma garrafa. Uma situação, como é fácil
compreender, pouco ou nada brilhante.
- Efectivamente a minha situação está longe de ser brilhante. Na
verdade, é muito aborrecido uma pessoa acordar e concluir que está presa
no interior de uma garrafa. Talvez para sempre. É sobretudo muito incómodo
– diz o infeliz pândego, secundando a minha opinião.
Pois muito bem. Aqui têm o que proporciona uma noite de folia
como aquela que Zavala Zabehlice teve o ensejo de gozar.

O TRASEIRO COMICHOSO
Um fulano entra à noite furtivamente no gabinete de trabalho
de um escritor famoso, esfrega as mãos e bebe um frasco inteiro de tinta.
Depois pousa o frasco no lugar, coça o traseiro comichoso e volta furtivamente
para casa.
No dia seguinte, o fulano começa a cagar histórias e transformase
num autor famoso. O outro, sem a tinta, pobrezinho, mergulha numa
crise de criatividade e acaba por morrer de desgosto.

SEZAY GORODECKY NÃO CONSEGUIA DORMIR
Noite após noite, agitado, transtornado, ofegante, barrigudo e
com uma borbulha na ponta do nariz, Sezay Gorodecky não conseguia
pregar olho. Ora, passar tantas noites sem dormir não é muito bom para a
saúde. Ao fim de algum tempo uma pessoa começa a morrer de sono. E
nem de propósito! Ao fim de algum tempo, Sezay começou a morrer de
sono. E depois morreu*.

* Esta nota de rodapé é pura garotice minha. Existe apenas para enganar o leitor.
Sezay Gorodecky morreu efectivamente de sono. Fim da história.

Autor: RUI MANUEL AMARAL in “365”

1 comentário:

  1. Malvado do traseiro do homem.
    Já viste o que era se todas as pessoas fossem
    estupidas e burras ao ponto de beber tinta só para (expulssar)historias pelo anus,uuii ficavam todos com ele arranhado.
    Do que só fala de porcarias
    0,5 pedaços de 1 abraço.Atenção os pedacinhos de abraços vam diminuindo após as mensagens enviadas

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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