sábado, 7 de maio de 2011

Nós não conhecemos nem dominamos os nossos cérebros!

Estou moído! Sinto-me nevrálgico e hibernante. Ontem, um dia bastante agitado, deixou sequelas para o futuro. Estou moído!
Uma tentativa, quase inebriante, que vamos desenvolvendo para sermos cada vez mais pró éticos, uma preocupação com os discernimentos de partículas "microscópicas" de ética e justo bem nas nossas existências, tem-se vindo a demonstrar, não só contranatura, como, em si mesmo, conspirativo numa dinâmica dificultadora de um saudável processo de pensamento.
Tenho reparado e sentido a acção de uma preocupação constante, permanente e, admito-o, por vezes quase patológica, em me "encaixar" nuns padrões social, cultural e antropologicamente, ditos éticos. Isso em si aparenta-se à primeira vista, algo que todos deveríamos fazer, num verdadeiro esforço de harmonia e bem-estar universal.
Não! Não só não tenho essa certeza, como vou duvidando da sua eficácia e vou sentido o seu efeito nefasto na saúde mental dos indivíduos e das sociedades.
A quantidade de casos de ansiedade patológica e depressões pré e pós traumáticas que se vão espalhando como a sombra de uma negra nuvem pelas paisagens de belos dias de Sol, vai aumentando com o crescimento dos efeitos nefastos de processo de justificação ética que vamos tentando assimilar e ensinar aos mais pequenos desde tenras idades.
De modo algum poderei afirmar que abandonada seja a ética e a tentativa da justiça!
Apenas vou achando que estamos a ir depressa demais, e isto pode parecer uma barbaridade, com este processo. Antropologicamente, não estamos preparados para esta aceleração na aplicação de todos os princípios éticos que inventamos, sendo que alguns são mesmo muito pouco éticos, claro está, vistos através das minhas "lentes" éticas. Não posso deixar de pensar no que têm sido estes 50 milhões de anos de evolução natural que produziram o homem de hoje. Não obstante, entendemos que estamos, intrinsecamente, quase totalmente errados!
Os processos contidos nestes milhões de anos de evolução sócio biológica foram amplamente constituídos por crueldades, injustiças, oportunismos e traições integrantes e derradeiras no desenrolar desses mesmos processos e no seu êxito de hoje.
O nível a que temos elevado a complexidade do pensamento, com tentativas de dissertação acerca de pensamentos, já em si, de elevado nível filosófico e complexidade de escalonamento psíquico, leva-nos a ponderar situações, circunstâncias e hipotéticas realidades que nos transportam para níveis que estamos muito longe de controlar e compreender. Sendo que, inevitavelmente, ficamos reféns deles mesmos, numa espiral de surrealismo virtual em cadeia. Nós não conhecemos nem dominamos os nossos cérebros!
Tenho ponderado a possibilidade de ir mantendo, até provas contrárias, a justiça e a ética, na gaveta entreaberta das inexistências, na companhia da liberdade, do acaso e da verdade...



© Mário Rodrigues - 2011

5 comentários:

  1. Hoje por acaso tá sol mas estou moído na mesma e não é só hoje.
    Só para salientar a tua "teoria"(Nós não conhecemos nem dominamos os nossos cérebros!) ve lá que eu nem sei o nome do meu cérebro..e eu que falo com ele já desde á 14 anos...
    Bernardo.-abraço;)

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  2. Olá Bralam

    Pois é como dizes!
    Muitas vezes parece-nos um estranho!... Mas isso é estranho porque o julgamento que fazemos sobre ele, é com ele!
    Assim é ele que nos domina...

    Abraços...

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  3. Bom dia Sr. Mário, é fazer o favor de voltar para nós, pode ser? Anda ausente á demasiado tempo, espero que esteja tudo bem e que haja por ai muito textos deliciosos para nos brindar com eles no seu regresso. Vá de férias sim senhor, mas não deixe de nos contar o que se lhe atravessa nas ideias e na alma.
    Beijos. :)

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  4. Olá Preta!
    Olá Maria!

    Estou! Felizmente estou bem! Estou bem eu, bem como a minha prol...

    Os últimos meses têm-me exigido tempo, atenção, sangue, suor e algumas das outras...
    Enfim! Nada que não nos venha completando os viveres...

    Escrever? Sim, estou a precisar de escrever sim! No entanto, não tenho conseguido ter o espírito devidamente "límpido" para o fazer! Lutas de sobrevivência turvam as vistas e mutilam as imparcialidades. Terei de esperar melhores dias e ventos com sussurros de ninfas...

    Para as duas envio mil beijos e o desejo que também vós, vos encontreis bem; saúde, corpo e alma...

    Beijos

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  5. Um beijinho grande Mário, desde aqui lhe envio as possíveis muito boas vibrações para esse grande cantinho do mundo ai dentro de si. ;)
    Até já então.

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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