terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eu gostava...

Gostava!

Gostava de ser melhor do que sou a fazer o bem, bem
Gostava de poder e conseguir ajudar mais, quem precisa mais
Gostava de saber dizer palavras que acalmassem os inquietos
Gostava de conseguir confortar os desesperados
Gostava de dizer as palavras que contam para os solitarios
Gostava de não dizer a um filho que o pai morreu
Gostava de nunca ser necessário dizer a um pai que o filho nasceu
Gostava que jamais um filho morresse
Gostava de saber o que fazer amanhã
Gostava de saber que o meu filho soubesse que o filho dele tinha futuro
Gostava de ser respeitado
Gostava de não ser roubado
Gostava de não ser ignorado
Gostava de não ser um mero número
Gostava de não ser dispensável
Gostava de não ser um fantoche
Gostava de achar que os outros eram bons
Gostava de acreditar que todos faziam com cuidado
Gostava que o trabalho de todos não fosse delapidado
Gostava de ser possivel gostar de acreditar nisto

E como um amigo meu me disse, "Gostava de conseguir ter esperança..."


© Mário Rodrigues - 2011

4 comentários:

  1. É por isto que eu adoro o seu blog, chega e quando diz alguma coisa, DIZ.
    Eu cá sabe o que fazia com este post? Oferecia-o ás gentes na rua, afixava-o bem grande em zonas metropolitanas, fazia dele o rosto de agendas para oferecer em Dezembro bem na semana do natal.
    Há três frases que me enchem o coração: "(...)Gostava de não dizer a um filho que um pai morreu/ Gostava de nunca ser necessário dizer a um pai que o filho nasceu/ Gostava de saber que o meu filho soubesse que o filho dele tinha futuro (...)"
    Grande.

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  2. Eu gostava que não gostasses de ter de gostar de tantas coisas. O meu mundo seria um lugar muito melhor. Mas apraz-me ver que és um homem de bom-gosto, a procura estimula a oferta. O meu bom pai disse-me uma vez, há muitos anos: "deus quando dá o mal dá a muleta", acho que ele não sabia que eu já andava às avessas com o céu. Nunca mais esqueci aquele provérbio, e passei a sentir-me coxo e desamparado para toda a vida. Prefiro pensar que ele sabia e que a intenção era mesmo essa. As minhas muletas tenho de as fazer eu.

    Forte abraço, Mário.

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  3. Tambem eu gostava... Mas as vezes acho que esta ansia que temos de "gostar" nos ha-de mover um dia na direccao de nos tornarmos melhores pessoas! ;)
    (continuo a passar por ca de vez em quando meu caro amigo, mas o que aqui poes e sempre tao bonito e faz sempre tanto sentido, que qualquer comentario que me ocorre fazer parece-me, na maior parte das vezes, nao estar a altura)
    Bj grande da Jo :)

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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