quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vertiras e mendades

Desculpai-me mas hoje não falo. Dói-me bastante a cabeça. Tenho nos últimos dias, por força de uma actividade voluntaria que tanto me alegra como entristece, por razões diferentes, escutado histórias e experiencias de vida...
Sinto-me "pesado" e contraído. Depois de escutar uns, escuto e falo com outros... outros que não falam nem escutam uns! Enquanto falo, observo uma postura de pseudo-escuta que faz com que eu me aperceba de que estou a falar um dialecto de uma língua estranha e morta dos confins da existência da humanidade.
Ritmos de vida, faltas de educação ou de princípios, lutas por sobrevivências difíceis ou simplesmente, "estou-me a cagar", criam barreiras compactas e aparentemente intransponíveis entre as pessoas. Neste momento não me sinto muito bem. Um aperto cefálico e a mandíbula serrada com demasiada força denunciam-me alguma raiva... O silêncio em que estou há já algumas horas, concentra as imagens e as frases incompreensíveis que tenho escutado ultimamente. As relações entre os supostos próximos, estão cravadas de "verdiras" e de "mendades". Não temos tempo para ser honestos, verdadeiros e humanos; para nos escutarmos e com interesse em resolver assuntos, procurarmos soluções válidas.
Não falo porque... Hoje prefiro nem escutar... Hoje está nublado lá fora... As imagens são difusas. Não vejo com nitidez. Haverá dias em que inocente, verei as pessoas nítidas... E então, falarei credulamente delas... Hoje não falo...

© Mário Rodrigues - 2010

2 comentários:

  1. Há dias assim em que pensamos qua a palavra "humano" e "humanidade" estão a entrar em desuso. E depois, um outro dia, numa outra hora testemunhamos com espanto verdadeiros actos que contribuem para que o "Sol volte a brilhar". Eu sei que cada vez são menos esses dias e cada vez são menos essas horas mas, quando brilha, sinto uma réstia de esperança...
    Abraço!

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  2. Antifalsidades,

    É como dizes...
    Mas hoje já é outro dia!
    E, nada melhor para esquecer um cão, que os pelos de outro cão!...

    Abraço

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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