quarta-feira, 9 de junho de 2010

Manhã (reedição)



Hoje, sem compreender exactamente porquê, acordei!

Acordei muito antes, do despertador que normalmente já costuma tocar depois de eu acordar. O dia ainda não tinha “nascido”. Olhei em redor… com a pouca luz que existia no quarto, observei a minha companheira de “guerra”, de um modo que me não lembro de alguma vez ter feito; meramente biológico. Realmente, a vida é uma grande maravilha. Dormia suave e silenciosamente, aquele complexo bioquímico, organizado numa verdadeira prova de mestria inimitável...
Levantei-me e fui até uma janela que abri… Um ar fresco e rico em oxigénio inundou-me os pulmões de assalto de um modo que quase me provocou dor…
O silêncio da manhã e o espectáculo de ver um dia nascer, é-me muito agradável. Mesmo muito. Utilizo-o muitas vezes na sequência de dias menos fáceis. Pergunto-me a mim mesmo, quanta sorte tenho em estar a assistir a um espectáculo, que apesar de se repetir diariamente, raramente reparo como é belo, e tão raramente usufruo da energia inigualável que ele me proporciona. Apesar da minha existência ser completamente indiferente a ele mesmo, (o nascer do dia).
Ao sair de casa vi uma minúscula flor violeta de quatro pétalas, que seria capaz de jurar que não existia numa pequena racha do muro de pedra. Aliás, nem tinha reparado bem que o muro era daquelas pedras; grandes... Aquele muro é um enorme habitat... Aquele muro… é o universo de muitos seres… Como será o “muro” que alberga o habitat de seres dos quais eu faço parte visto pelos olhos do transeunte que acorda cedo e repara num mero muro de pedra?

© Mário Rodrigues - 2009

4 comentários:

  1. :) fizeste-me sorrir :)
    ganhei um hábito, que vem dos dias em que enclausurada não tinha sequer discernimento para questionar se "amanhã" voltaria a ver o dia nascer... dizia eu ganhei o hábito de dizer "bom dia" ao refexo estampado no espelho e de seguida ir até à cozinha preparar o meu bruto pequeno almoço e quando me sento de frente para a varanda olhar para fora e dizer "bom dia, dia"
    (eu sei é um hábito estupido...)

    assisto frequentemente ao nascer do dia, fascina-me e desde esse tempo também dou comigo a observar atentamente "coisinhas pequenas e insignificantes".
    acordar a cada dia, poder olhar em redor e saber que sou eu, é algo tão extraordináriamente bom que nem me preocupo em tentar explicar basta.me sentir e faz-me sorrir :)

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  2. Olá menina escarlate. Posso, obviamente, te chamar de menina...

    Teremos... algo, um pouco, bastante ou até mesmo muito para falar acerca disso; e não falo só dos detalhes, que só por si, já me deram horas intermináveis de prazer...

    Mas, "...ganhei um hábito, que vem dos dias em que enclausurada não tinha sequer discernimento para questionar se "amanhã" voltaria a ver o dia nascer...", deixa-me ávido de "apetite", para uma dissertação em redor da "inevitabilidade do ser" tendo em conta que ser, pode ser evitado...

    O que eu dava!...

    Três balões escaldados de cognac Courvoisier, três poltronas confortáveis, Dee Dee Bridgewater, pouca luz, tu eu e o Cybe e os relógios todos no caixote do lixo...

    A insustentável leveza do ser...

    Beijos

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  3. ahahhahahahhacoitados dos relógios
    posso trocar o cognac por vodka puro sem gelo? é a unica bebida que realmente gosto :)

    pode chamar menina à vontade que eu já estou habituada aos menina míuda gaiata e afins, se bem que na volta é bem provavel que seja mais velha que tu :D

    a insustentável leveza do ser, um livro explendido e Praga... ai Praga :)

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  4. Mário,

    Tenho, às vezes, o defeito, que tento corrigir, de achar que tudo adormece quando durmo. Chego a duvidar se o pormenor que ninguém vê não acaba por existir só para mim, ou se os que não vejo chegarão a existir para alguém. Daí que acabe por me questionar se aquela flor não será apenas tua...

    E as pedras... Em dias imagino as mãos que as colocaram. Quanto mais antigas mais me espanto. Imagino o cinzel a parti-las algures no mundo. Mas noutros dias acho que já nasceram assim, só para eu as ver.

    Ao ler o teu texto acabo por achar que o que tiveste não foi sorte. O espectáculo existe, e é para ti. Foi-te dedicado, exactamente assim para que só tu pudesses admirar. Afinal, mais ninguém viu, pois não? Tu é que estavas no local certo à hora certa. Mais um minuto e talvez o telefone tocasse, talvez espantasses uma borboleta do vidro que pousaria desastradamente na flor, fazendo-a cair... O "talvez", sempre a margem do nosso sonho...

    Se tivermos sorte, pode ser que esse transeunte que referes consiga admirar-nos a beleza do habitat, ou podemos ter o azar de simplesmente nos pôr um pé em cima... Aí acaba-nos com as dúvidas e também com as fantasias.

    De uma maneira ou de outra, o mundo faz-se belo todos os dias, para ti. Observar, além de um prazer, talvez fosse um mandamento.

    Temos mesmo de combinar isso que congeminais! Para podermos assistir a esses milagres da natureza com testemunhas! :)))

    Abraço!

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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