segunda-feira, 10 de maio de 2010

- Nada! Não é nada!...


Hoje, pela manhã vejo alguém, a quem com um olhar pergunto:

- Então como estás?

Esse alguém me responde:

- Por aqui vou estando! Acordei antes do toque do relógio. Esperei um pouco e levantei-me, apesar de ainda cedo e de nada ter para fazer... Saí porque...porque se tivesse algo para fazer, sairia àquela hora. Não corro porque não tenho para onde... Simulo algum trabalho e...regresso já depois de serem reduzidas as hipóteses de perguntas. Perguntas que nunca sei responder de outro modo que não seja...um trejeito de boca acompanhado do respectivo encolher de ombros...o que em simultâneo faz com que sinta um moderado enrugamento do estômago acompanhado de pressão sobre o externo...

Com alguma preocupação pergunto:

- Mas então o que tens tu? Que se passa?

Esse alguém me responde:

- Nada! Não é nada!

Insistindo pergunto:

- Nada? Mas que tens? Que se passa?

Esse alguém me responde:

- Tenho quase tudo o que preciso! Incluindo coisas que não preciso! Há coisas que ainda não tenho, mas tenho tempo, para as ter! Há coisas que sempre ansiei, mas temo que já mais algum dia as tenha! Mas...acima de tudo lamento! Lamento muito as durezas dos corações! Corações que outrora moldados por mãos frias em pedra dura, amputados de quente ternura, não saibam pedir perdão! Que tantas vezes, nem tal careciam! Houvesse simplesmente um pegar de mão na mão... Mas ternura sei eu que têm! Apenas penas tenho, que tal amor e doçura, de paredes grossas seja refém! O que custa a muita gente, não é verdadeiramente o gesto de estender a mão! Fosse ele certamente, para em vez de pedir...conceder o perdão...


© Mário Rodrigues - 2010

1 comentário:

  1. Mas para pedir perdão a outrém é preciso magoar primeiro. É preciso errar antes de fazer bem. É preciso afinal ser humano, porque errar o é, mas principalmente é necessário que o erro tenha ofendido, não apenas a nós. Talvez haja razão em pedir perdão por existir, mas eu não peço, refugio-me no meu coração de pedra e fico sentado, magoado, principalmente porque quero que os meus erros não me sejam perdoados, não todos, mas os da existência humana, dessa vileza não peço perdão, pela sua universalidade. Quanto aos outros, preciso algumas vezes que me indiquem o caminho. Muitas vezes serei cego, mas a frontalidade ajuda-me, é afinal o preço que terão de pagar quando o meu pedido de perdão não lhes for gratuito, por esse caminho me ter ficado ao lado. Mas sei que pagam por um bom produto, quando o fabrico sai-me da alma. Já os outros, aqueles pedidos de perdão pelos quais não me pagam, são aqueles que já comecei a pedir para me perdoar a mim antes de lhos ter tentado entregar, uns e outros têm custos de produção elevados mas são-me sempre bom investimento.

    Abraço!

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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