sexta-feira, 19 de março de 2010

You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirardo mais fundo de nós o mais útil segredo entre nós e as palavras há perfis ardentes espaços cheios de gente de costas altas flores venenosas portas por abrir e escadas e ponteiros e crianças sentadas à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos há palavras de vida há palavras de morte há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar há palavras acesas como barcos e há palavras homens, palavras que guardam o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente, as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras noturnas palavras gemidos palavras que nos sobem ilegíveis à boca palavras diamantes palavras nunca escritas palavras impossíveis de escrever por não termos conosco cordas de violinos nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar e os braços dos amantes escrevem muito alto muito além do azul onde oxidados morrem palavras maternais só sombra só soluço só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Autor: Mário Cesariny de Vasconcelos

5 comentários:

  1. Nem me sinto bem a comentar os seus textos, quando não há nada à altura a dizer, mais vale fiacar calada...
    De qualquer forma, não posso deixar de dizer que gosto muito, sem adjectivos e sem apreciações futeis.
    Muito obrigada pela visita e pelos comentários, sempre que quiser passar no meu cantinho será muito bem vindo :)
    Beijinho

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  2. Mariana marciana,

    Não subestimes a tua altura porque podes não ter noção dela...Não sobreavalies a minha, porque eu sou muito pequeno e não passo de um aprendiz num mundo de mestres. Mestre de douta sabedoria, mas também mestres de barbas grandes e de maus odores corporais que esmolam nos túneis dos metropolitanos das nossas vidas...
    Não tenho o direito de querer que me concedas minutos da tua vida, mas nunca vale mais ficar calada...
    Neste recanto todos os suricates falam...principalmente os que não têm nada a dizer...

    Um beijo

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  3. Caro Mário Rodrigues;

    Passei por aqui, para lhe desejar um excelente fim-de-semana. Com muita paz, e nunca esquecendo... MUITOS SORRISOS*

    Beijinho*

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  4. Olá Invisível

    Muito obrigado pelos desejos que retribuo.
    Hoje ando no "Limpar Portugal" e amanhã tenho de fazer 60 litros de sopa da pedra para uma pipa de miúdos que me recuperam das minhas exclusões sociais...são incansáveis e muito trabalhadores...

    Um beijo

    P.S. - e isto tiver erros desculpa porque estou de pad

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  5. As palavras podem dar-nos e tirar muito, as ditas. as não ditas, e as ditas assim-assim. Cesariny voou pelas palavras aqui. Muito bonito.
    Beijinhos, Mário

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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