segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tempo transversal à existência

Neste fim-de-semana, tive a oportunidade de estar junto de uns seres extraordinários! Digo extraordinários, não porque esta palavra se encaixasse mais ou menos bem aqui no meio destas outras, mas antes porque aqueles seres o são mesmo!
Calculo-lhes a idade, mas com esse cálculo surgem-me na cabeça coisas como as histórias a que assistiram. As nossas existências médias de setenta, oitante, noventa ou até mesmo de cem anos, aprisionam-nos numa existência temporal finita, que com ela traz uma estúpida forma de vida, também ela finita, de horizontes estreitos, espartilhados...de sabor salobro, dada a sua exígua mensurabilidade.
Com dificuldade, e nunca sem esforço, apreendemos a existência de tempos infinitos anteriores e posteriores às nossas existências. Parecem-nos algo de menor importância face aos tempos que estamos a viver. "Estes sim...", parecemos nós dizer, dos altos das nossas tribunas de palha de milho, como se jamais tivesse havido e voltasse a haver momentos na história como aqueles em que estamos a viver.
Com muita frequência, vou lendo inúmeros exemplos de pensamentos, raciocínios e conclusões, que me parecem e são, absolutamente contemporâneos apesar de a sua origem ter muitos séculos e o seu desenvolvimento muitos milénios. Nós somos apenas os detentores dos restos, que sendo bons ou maus; já sei que esta classificação em si já é putrefacta, dos anteriores habitantes de uma presunção de imortalidade mesquinha e microscópica como a nossa. Uma árvore que independentemente das suas características físicas, assiste à minha passagem pela face da terra, como se de um instante se tratasse, tem um acumulado de legitimidades, difícil de entender e compreender. Assistiram a coisas como o vomitório romano e o masturbatório grego, que são coisas que nos deixam confusos, principalmente porque julgamos que isso deveria estar para a frente temporal e não com o passado de milénios. Aproximar-me de um tronco que tem oito metros de diâmetro e que eleva uma copa a cinquenta metros de altura, é intimidatório e arrepiante, mas, se lhe encostarmos o ouvido, podemos ser embalados em histórias intemporais de duendes e princesas, de animais e de namorados...numa existência serena. Como poderia eu, um dia, decidir acerca da sua existência...

© Mário Rodrigues - 2010

1 comentário:

  1. Olha Mário, compreendo bem o que dizes. Reduz-nos a uma certa insignificância. Ainda por cima porque nascemos desenraizados... Deixo-te um link sobre um ser que conviveu com os romanos, é mais baixinha mas o mérito está todo lá. Quantos relâmpagos? Quantas caras? E se ela tiver memória? Quantas casas? Quantas almas a saborear as suas azeitonas?

    http://mpt-tavira.blogspot.com/2009/12/arvore-mais-antiga-do-continente-e-uma.html

    É mais baixinha, é certo... Dois mil anos... Caneco!...

    Abraço

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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