domingo, 6 de dezembro de 2009

Conífera

Agora vos pergunto! E se um dia eu morresse?

Um segredo vos vou contar.
Se um dia eu morresse, e o resgate da massa sem o sopro da alquimia tal permitisse, ia querer que numa covinha pequenina junto ao pé de uma conífera, o carbono desagregado pela energia que outrora me constituía, fosse depositado.
Assim embrenhando-me no ventre na nossa terra mãe, pelas raízes da conífera junto com a água iria também.
Esse que já fora Adão, Platão e Napoleão, que já fora Abel, Gabriel e papel, esse carbono agora no pé de uma conífera outra vida iria tomar.
Do alto das suas folhas a todos vós iria observar.
Na harmonia das vossas insensatas vidas caminhar.
Mas quem não muito me ama, por tal não vá esperar.
Porque já mais morrerei, enquanto nos corações de quem me queira puder estar.
Porque já mais morrerei enquanto um ser de mim se lembrar.
Porque já mais morrerei enquanto um coração me queira amar...

Mas isso! Isso seria se um dia eu morresse...


© Mário Rodrigues - 2009

8 comentários:

  1. Olá Mário!
    Belo este teu pensamento, porque morrer mesmo é ser esquecido, desaparecer completamente, nada ter sobrevivido. Por vezes penso sobre estas circunstâncias. Quando penso numa pessoa má desejo que ela esteja morta, bem morta e enterrada para todo o sempre, que nada dela possa renascer, como por exemplo o Hitler. Mas, se pelo contrário, dou por mim a pensar naquelas pessoas boas, verdadeiramente abnegadas, sinto que seria a mais terrível das injustiças elas desaparecerem e nada mais delas restar. Como se pode ser tão ingrato ao ponto de dar este fim a uma alma boa? Uma alma boa merece viver para sempre, no nossa memória e algures numa outra dimensão, embora este meu pensamento nada tenha a ver com ideais religiosos, que não haja confusões. É uma ideia fruto do meu pensamento livre.
    Um beijinho.

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  2. Se um dia morresses serias realizado. Não por ti, que terás sempre sonhos, mas pela vida. Terias o privilégio de não ver partir todos os que amas, nem verias o planeta destruir-se, ou esborrachar-se contra o Sol dentro de milhões de anos, não verias os teus princípios serem relegados como coisas sem importância por quem não os compreende e encontra uma nova ordem. A vida que te usa arquivar-te-ia como pedaço de História, para não te consultar nunca mais, seria a capa da tua obra a parte reciclável, já sem sentimento ou sentido. Se um dia morresses terias cem virgens à tua volta. Que privilegiado serias! Pedes muito. Nós não fomos feitos para morrer. Tens de te aguentar para sempre. Vive com isso e jamais ambiciones o que não te foi concedido. Sofrerás até que expurgues todo o mal, e consumam todo o bem, que causaste, nunca saberás que a dama de negro te leva, nem o resultados dos teus actos que terão repercussões inestimáveis.

    Abraço

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  3. Sendo a morte uma egoísta "realização" de dimensão incomensurável, bem sei que a não mereço.
    A minha existência iniciou-se num mundo que necessita de quem tem eternamente tudo por fazer. Tenho de garantir que até à realização vital do apocalipse, haverá quem sonhe em ter um mundo melhor. Loucos insanos que abnegadamente se entreguem a uma luta sem a recompensa da realização à vista.
    Assim e antes que um egoísmo teocêntrico de mim se apoderasse, mergulharia numa luta eventualmente infinita e insensata, mas que o sonho, esse fantasma belo que me conduz, me leva a disputar contra a realização pela vida.
    A mágica existência bioquímica teria sido completamente desperdiçada. A minha, a tua e a de outros loucos, se morressem vitalmente realizados. A nossa existência seria idêntica à de um qualquer porco comedor de restos, cuja única missão é grande mas inócua...Num mundo que necessita de mudanças para ser melhor...

    Um abraço

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  4. A garantia de que não morrerás, ó Mário, chega-nos através da vida, que vives em vida, porque tu vives. Haverá quem apenas exista, quem passe ao lado da vida, e esses não morrerão porque teria sido necessário nascerem!

    Não és suficientemente imparcial para falar de ti, mas serão os que de ti falam, que não te deixarão morrer!

    Pior, muito pior seria, Mário, se, em vida, um único dia tu não vivesses!

    Um abraço.

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  5. Olá Milu,

    Estava a ler o teu comentário e, quando te referes ao verme do Hitler, penso que nem esses morreram realmente! Esse então, não morreu nem vai morrer nunca, acho eu...
    Concordo contigo quando falas de bons carácteres que se esforçaram ou não por um amanhã mais bonito e mais digno. Tal como tu acredito que a nossa energia alquimista possa atravessar a limitação do corpo e do tempo. Se mais não fosse no cunho deixado pela luta de um sonho que não deveria ser utópico.

    Um beijinho

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  6. Gemini. Se assim for o desejo de alguém, pode nascer mesmo instantes antes de morrer...
    Há sempre tempo...
    Realmente poderei não morrer na boca dos que de mim falam! Mas só viverei na cabeça dos que comigo sonharem... Serei eternamente mais do que aquilo de que me rotulam. Serei sempre mais que uma etiqueta!
    Tenho um sonho pelo qual me esforço, quase, todos os dias! Ir deixando um rasto de mudança atrás de mim. Fico triste por saber que há dias que assim não é! E não estou a cumprir a missão que sonho e tento vislumbrar lá ao longe num futuro.

    Abraço

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  7. Quando, um dia eu morrer, espero apenas que o possa fazer em paz, sem ter a mente assaltada por milhares de coisas que não fiz, milhares de sorrisos que não tive, milhares de lágrimas que não chorei, milhares de palavras que não disse, coisas que fiz mal. Que, em vez disso, tenha a minha alma cheia pelas coisas que fiz, pelos sorrisos que dei, pelas lágrimas que chorei, pelas palavras que disse e pelo bem que possa ter feito. Que nesse dia, alguém me segure a mão.
    E, principalmente, quero morrer só quando a vida se extinguir, ou pelo menos a vida como a conhecemos ;) (e bem daqui a uns 100 anos, se possível :)).

    Beijinhos

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  8. Olá Nirvana!

    É como dizes. É esse o desejo que tenho para a minha morte física. Quanto à outra, acho que dessa maneira arriscas-te a não morrer... O que é muito bom sinal ;-) Assim sendo, lutemos para sermos imortais. Temos tudo por fazer ;-))

    Beijinhos

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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