sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Levi’s e D&G a 500mg...

“...contrafacção de comprimidos?”, “Sim. Não sabias?”, “Então mas isso é como as calças e os perfumes, queres ver!?”, “Pior!”, “Pior porquê?”, “Porque mata pessoal e as calças e os perfumes não!”, “Estás parvo! Explica lá essa!”, “Queres mesmo?”, “ Deixa-te de cenas...”, “Ok! Está bem.”

“Então imagina o seguinte: “, “O quê?”, “Eu tenho um grande laboratório de medicamentos, pago uma fortuna a uns tantos cientistas que trabalham num laboratório que eu paguei, e que me custou outra fortuna. No entanto não estou muito chateado, porque logo que os meus cientistas desenvolvam uma determinada droga, eu vou regista-la e ao abrigo da legislação internacional, vou explora-la em exclusividade durante oito anos. Eu como tenho de recuperar o meu investimento, marco esse produto e vendo-o no mercado com uma margem de 1800%, durante o período em que só eu o tenho. Certo?”, “Épa... Certo...”, “Ok. Continuando. Durante esses oito anos como tenho de demonstrar que a minha droga, é excelente, procedo à sua produção, exclusivamente na minha fábrica, com os meus melhores técnicos e com matéria-prima de qualidade e síntese de primeiríssima qualidade, vigiada e controlada constantemente.”, “Porreiro, ainda bem! Assim é que deve ser, não é?”, “Sim, claro. Deveria ser sempre assim!”, “Deveria?”, “Sim. Deveria. Mas não é! Durante esses anos, as matérias-primas mal sintetizadas, deterioradas, estragadas nos transportes, rejeitadas nos controlos de qualidade, etc, etc...”, “Foram destruídas, claro!”, “Não, Nem por isso! Foram armazenadas na Índia e arredores, nuns armazéns de umas indústrias que foram desmanteladas e que parecem estar abandonadas...”, “Para quê?”, “ Espera, uma coisa de cada vez! No final dos oito anos de exploração exclusiva, as coisas mudam de figura! A fórmula descoberta pelos meus cientistas, passa por força da legislação internacional, para o domínio público, devido ao seu interesse para a sociedade. Aí, desço o preço do meu original para um terço, lanço através dos média em que sou accionista, algum descrédito controlado sobre a passagem da droga para o mercado de outros laboratórios e descredibilizo completamente o mercado dos genéricos, apelidando-os de contrafeitos ou de proveniência duvidosa”, “Pois, mas se eles não fazem as coisas bem?”, “Eles quem?”, “Esses gajos dos genéricos!”, “Espera, deixa-me explicar-te. Em primeiro lugar existem laboratórios de genéricos que laboram em perfeitas condições, tão ou melhores que os de marca. Depois esses outros gajos, são micro “laboratórios” artesanais de vão de escada que existem milhares na Índia, China, Koreia, Países Médio Oriente, Bangladexe e outros, mantidos graças a fundos meus e de amigos meus, tais como outros accionistas de outros laboratórios, rapazes porreiros do tráfico, e industria encoberta do mercado “extasi”. Quando um produto passa para o mercado livre, todos o querem ter mais barato. Assim são feitos concursos/leilão, em círculo altamente secreto para encontrar/adjudicar a produção de uma droga X, a um desses “laboratórios”, sem controlo, de qualquer tipo, com mão-de-obra escrava, por vezes a troco de uma “dose” para o dia, e em que política ambiental e outras, são megalomanias ocidentais. Depois agarra-se a matéria-prima que esteve armazenada e anteriormente rejeitada, mistura-se com substâncias compatíveis e de baixíssimo valor comercial, cujo melhor é o amido de trigo e arroz, mas que também passa por sal-gema, cal, gesso, talco e outras...Faço os comprimidos, dos formatos e cores que me forem encomendados, depois são vendidos a granel às toneladas em leilões cujos licitadores são a industria de blisterização e embalagem e mais tarde introduzem em lotes mistos esse produto no mercado.”, “Mas isso é de loucos!...”, “Achas?”, “Agora imagina que durante uma investigação, os meus cientistas descobriram, por “acaso”, um antigénio que poderia vir a dar uma droga de imunização profiláctica (vacina), porreira para uma pandemia...”, “Sim...E o que é que isso ia dar?”, “Uma extraordinária possibilidade de ganhar dinheiro! Tendo o antigénio, é muito fácil sintetizar um agente infeccioso, depois... Está visto meu amigo, produz-se e distribuí-se no target desejado. Mistura-se nos comprimidos maravilha que estávamos a produzir, ou nas pastilhas, ou na coca que segue para a distribuição, ou no leite em pó dos putos, ou então; também podemos por na ração de uns porquitos num país cujo controlo sanitário seja, digamos... Ligeiro ou ainda nos coktails de hormonas com espermatozóides de inseminação artificial dos frangos, vacas e porcas, etc...e esperar algum tempo...é a gestação...Quando aparecerem os primeiros infectados, voila, eu sou um gajo que não só tenho a cura como a vacina e que ainda ofereço a determinados países os medicamentos para salvar milhões de pessoas que infectei, o país dá-me contrapartidas várias, como axilos e identidades renovadas, proporcionando-me a possibilidade de com a cura, estar a espalhar o meu próximo grande negócio...”.

 

“Épa, mas isso é uma loucura! Tu estás doido?”

“Sim, estou! Ainda ontem teimei durante meia hora que era o Marquês de Pombal... “

 

© Mário Rodrigues - 2009

11 comentários:

  1. Pois... E eu dizia há dias que o mundo é meu, e que me chamo Napoleão e assim...

    Já não me recordo de que medicamentos estava a tomar (bem os da hipercoisa são diários...).

    Esqueceste-te de falar noutros agentes activos que defendem essa corja. São aqueles pequenos grupos terroristas armados que fazem a cobertura das situações mais problemáticas e que são pagos para silenciar quem age abertamente contra a coisa. Claro que os verdadeiros motivos do silenciamento acabam por ser dissimulados noutras coisas, e as provas serão difíceis de encontrar pelo grau elevado de corrupção dos territórios em que a coisa se desenrola.

    Isso é um mundo onde a lei não penetra, e as normas são eles e o poder do dinheiro que as impõem.

    E sabes?... Acredito que de facto é assim.

    A braços Mário

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  2. E esse mundo é o nossos, e as cubaias somos todos nós...

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  3. O mundo chocou-se com o Hitler, mas há por aí mais como ele, só varia a forma de operar!

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  4. Pois é Milu, e o rasto é tão ou mais vergonhoso e os indivíduos em causa são tão ou mais desprezíveis e nojentos...

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  5. Bom, Mário, isto é no mínimo assustador! Principalmente por poder ser verdade! Poderia fazer parte de uma obra de ficção escrita por Robin Cook, mas aí, seria apenas ficção.

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  6. Bom, Nirvana, isto é mesmo muito assustador! Principalmente porque é verdade! Faz parte de um mundo onde não existem escrúpulos, vergonha ou respeito, e assim, mata gente que se farta a troco de ambição desmesurada...

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  7. Meu caro amigo, eu vi na televisão uma reportagem sobre os medicamentos falsos feitos na china e o reporter dizia ao chinoca, que aquilo podia matar.

    Resposta pronto da "fazedor de milagres"
    :- QUERO LA SABER ELES SÃO ESTRANGEIROS : -

    Um abraço

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  8. Olá Zé do Cão

    Sejas bem-vindo a este recanto. Volta sempre.

    Esse estúpido de que falas, deveria estar a falar de certeza, nos 21 bebés que morreram lá mesmo devido a essa "milagres". Mas a principal culpa não é deles...

    Um abraço

    Mário Rodrigues

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  9. Caro Mario,

    Isto e´ terrivel! Sao realidades saidas de filmes de terror. Mas o maior filme de terror sera´ sempre a Realidade. E´ mau o Homo sapiens!

    Um abraço,

    Jorge

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  10. Não Jorge! Isto não são cenas de um filme! E a provar isso, pouco tempo depois de eu ter escrito isto, veio a farsa da H1N1.

    Outro para ti.

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  11. Caro Mario,

    Eu queri dizer que isto parece saido de um filme de terror, mas muito pior. Sei bem que isto existe, e´ uma abominavel tragedia.

    Um abraço do

    Jorge

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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