sábado, 25 de julho de 2009

Talvez - Primeira parte, bocado nº3

...Cherenka Vladsca, que os amigos tratavam, carinhosamente, por “Checa”, não que ela fosse proveniente da República Checa, que não era, tinha trinta e seis anos. Saiu do seu país com vinte e quatro, deixando para trás uma filha com dois anos, a mãe, viúva de um mineiro Ucrâniano, uma irmã, um amor de dois dias com um soldado russo, de que a filha foi o fruto e…

Nas ruas ouvia com frequência que quem partia para ocidente, mandava dinheiro para os que ficavam. Os dias, no leste, eram difíceis… Uma vizinha disponibilizou o contacto de um senhor, que…
- Viaja, e arranja trabalho para mulheres em fábricas e a tomar conta de crianças… - Recebem bom dinheiro! – Dizia a angariadora.

A realidade dos últimos doze anos, foi-lhe bem diferente. Checa, passou por Amesterdão, antes de Barcelona e Lisboa. “Casa Rosso” primeiro e “Bagdad Club” em Barcelona, foram as “fábricas” que Checa viu quando chegou ao, “maravilhoso mundo do ocidente”. Um bar de alterne, nos subúrbios de Lisboa, pô-la a tomar conta de “crianças”. Foi conseguindo arranjar algum dinheiro para comprar um microscópico Tzero, longe do “infantário”. Uma relação “laboral” mais persistente com um cliente, acabou por a tirar de lá.

Júlio, não será exactamente um príncipe encantado, mas, depois de a ter achado, exclusivamente “boa”, começou a ver nela alguém que lhe ouvia os “ventos de revolta” que há muitos anos, “trovoavam”, a sua relação com a sua esposa.

Checa trabalhava agora, como doméstica, em algumas casas de pessoas que, apesar de terem menos habilitações que ela, tinham dinheiro para lhe pagar ao fim do mês. Planeava, agora a possibilidade de trazer para junto dela a sua filha.
AVISO: ATENÇÃO! É possivel que isto continue.

© Mário Rodrigues - 2009

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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