sábado, 4 de julho de 2009

A Dama desceu ao bloco...

Sinto-me... Não vale a pena. Tudo corria na aparente normalidade rotineira, bom clima, bom texto, escrita porreira, “Supertramp”…… 45 minutos. Paragem. Rea.30 minutos. Paragem. Rea, e,e,e…….Instala-se o caos sincronizado e normal para o caso, pressente-se a presença da… dama de negro flutuando… os movimentos tornam-se perpétuos, e estranhamente retardados. Sem qualquer pudor arranca-nos das mãos o seu tributo…nunca hei-de estar preparado para a; “desvida”…hoje não me apetece chamar-lhe outra coisa…depois; a cruel trova do…”hora do óbito, 21 horas e cinco minutos do dia………..” Merda. Não sei se vou para casa…outra vez. Estes anos de contacto com sofrimento rebentam-me...

© Mário Rodrigues - 2009

9 comentários:

  1. Compreendo aqui a vileza de te desafiar a fé. Não pode ser fácil lutar contra um oponente que não vês nem conheces os fundamentos, mas que precisas de saber exímio. Que outro sentido haveria?...

    Mas quando tu ganhas ela não perde, só adia... Já quando tu perdes... Ela não esteve para te aturar...

    Hás-de contar-nos das outras vezes. Aquelas que valorizas menos, mas que te libertam da insónia, as que te imortalizam dentro dos que bafejas contra as expectativas. Nesses momentos, estou certo que a surpreendes.

    Talvez ela também tenha que provar a si mesma que é competente no que faz. Talvez, quando não dormes e te inquietas, ela durma descansada, porque cumpriu a missão. E enquanto ela adormece, tu dificultas-lhe a tarefa, e ainda bem...

    Enquanto eu por cá vou pedindo que nunca te convenças de que a tua acção possa ir contra eventuais desígnios do etéreo. A minha fé principal é essa, talvez por não precisar de outra.

    Forte abraço!

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  2. Caro Mario,
    Os teus posts, pela qualidade (excelente) da tua escrita, pela intensidade que neles poes, pelos assuntos que abordas, deixam-me (quase) sempre sem palavras... Impotente para comentar. Mas quero que saibas que te leio... E que aqui venho... Que estou aqui.
    Bj grande da Jo:)

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  3. Cybe,
    O oponente tem uma potência débil. Nunca desempenha o seu necessário trabalho com honra. O que, na nossa cultura, é extraordinário porque jamais precisaremos de ter pena dela. Será sempre maldita. Eu, sou tão somente, e raramente, um elementos de uma equipa que tem por missão adiar as suas pretensões.
    As outras vezes?... A sensação de missão cumprida, e pronto; e o andar, que se faz tarde; retira algum sabor de “vitória”. Dentro de um hospital, como em tantos outros sítios, contamos muitas vezes insucessos, e encaram-nos os sucessos como, simples a obrigação. No entanto, vezes houve, em que lhe retirei (ou ajudei a) a carcaça das mandíbulas, e deixei-a á fomes mais uns anos. A minha principal fé , é a de lutar de muitas maneiras, para que no dia que Dama me vier visitar com a bandeja pronta, eu, lhe entregue com desprezo a minha química, e a olhe de cima com a convicção que algumas vezes e de muitas maneiras, lhe estraguei o trabalho…

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  4. Joaninha,
    As mulheres foram feitas para serem amadas. A tal como as crianças, têm a magia de as querermos, proteger, cuidar e amar. O instrumento que manejam eximias, é o “veludo”, das emoções. A escrita? … tento escrever razoavelmente. A intensidade, é a minha vida. Guardo em mim, muitas cicatrizes, mas muito mais glorias, da minha maneira de me apaixonar intensamente pelas coisas que faço, tenho e sou. Gosto, e não sei se sei viver de outra maneira, porque sinceramente não quero, de me “lambuzar”, com os outros e que os outros contagiados, façam o mesmo, e assim todos e em conjunto, temos grandes momentos de verdadeira euforia de viver, verdadeiros orgasmos de alegria de nos termos uns aos outros. Nunca escrevi para os contadores. Se o fizer, traiu-me. Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque, fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo, caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…
    Um beijo, Joaninha!

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  5. Superaste o que eu esperava. Resposta fantástica Mário! Aumentas a minha fé! :)

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  6. Cybe,
    Se te aumentei a fé! O nosso dia será melhor, e tenho mais um sorriso feliz para o dia da verdade...

    Abraço!

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  7. A Dama de Negro... Essa eterna solteirona. Provavelmente condenada a uma cor que nunca quis vestir!

    Apesar de condenada ao sucesso, já não lhe é bastante triunfar. Agora dança, feita convidada, ao som de uma música cujo "solo", será sempre seu. E que executará, quando a dança a que se convidou, já não lhe der prazer.

    Que nunca faltem "bailarinos", que a possam manter na dança!

    Um abraço!

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  8. Gemini,
    Essa interpretação, que subscrevo, aligeira o peso dramático. O que me transporta para a realidade do ciclo da vida.

    Abraço

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  9. lamento, mas não consigo encontrar palavras para classificar o que vocês escrevem.Entendo, mas não tenho paciência... Mas continuem, se isso vos trás alivio.

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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