quarta-feira, 27 de maio de 2009

Talvez - Primeira parte, bocado nº 2

...A sua principal actividade lúdica é estar deitado na sua cama, com a porta do quarto praticamente fechada a ver tudo o que seja futebol de todos os campeonatos e ligas possíveis e imagináveis. Juntou dinheiro durante algum tempo para mandar instalar televisão por cabo exclusivamente no seu quarto, apesar de viver em casa de seus pais. Da sua rotina fazia parte: o hipermercado a escola de onde regressava com a mesma pressa com que ia para lá, as noites de sexta-feira, que para ele tinham um sabor a encontro de grupo de ajuda de qualquer coisa, e umas viagens estranhas, apesar de rápidas que fazia não se sabe exactamente onde. Não namorava. Nunca lhe fora conhecida tal suposta relação. Falava muito menos do que pensava, pensava muito mais do que raciocinava. Tinha um discurso miserabilista, socialmente fatalista, e tinha a certeza de que os capitalistas conspiravam permanentemente contra ele que na qualidade de representante de uma classe operária injustiçada que não tinha direitos mas sim e só deveres. João, o anfitrião, permanecia convencido de que a Vladsca, Cherenka Vladsca, bem como a Patrícia, carinhosamente chama de "piquena", por todos, eram a verdadeira razão para a continuidade de Leopoldo nos encontros de sexta-feira... (AVISO: ATENÇÂO! É possivel que isto continue)
©Mário Rodrigues

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…Escrevo, principalmente, por falta de espaço dentro de mim para tantas emoções e tão grandes (para mim). Anseio pelos comentários, porque fico com a sensação de que os pingos de emoção que transbordo caiem em terras fecundas, e coadjuvam o nascimento de novas emoções, e produzem opiniões e contra pontos e desafios… e isso. Isso é “geleia real”, para as nossas vidas…

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